terça-feira, 12 de agosto de 2008

Diversos & variedades

Após formalizar minha saída do curso de francês e assumir de vez as férias, fui "bater ponto" no Jardin du Luxembourg e alimentar a "criação". Vocês estão vendo este passarinho, coisa mais bonitinha, aí perto do meu pé? Pois é, você senta pra comer o seu lance e chega esta turminha pra ser alimentada também. Ficam por ali, atrás das migalhas que caem acidental ou propositalmente. Mas, atenção, isso pode atrair visitantes indesejados: pombos! Este grandão e peitudo afasta os amiguinhos simpáticos. Não gosto de pombos.

Ontem me conectei com a torcida do Flamengo, do Coríntias, do Palmeiras... Foi assim: estava já há dias querendo ir a Montmartre e lá visitar a igreja Sacre Couer, que fica num ponto alto da cidade e tem uma vista bonita. Pois é, cheguei lá e topei com esta turmona toda! Procurei abrigo dentro da igreja, e lá de fato é proibido falar alto e não são muitos os que se animam a sentar nos bancos e ficar lá em silêncio. Paraíso. Fiquei lá tomando um fôlego, e reparando na decoração da igreja, que data do século XIX, se não estou enganada. No altar, acima, tem um mural grande, com uma figura de Jesus de braços abertos e um olhar penetrante. É como um ressurgimento. Ao lado estão a Virgem Maria e um anjo, e vem em seguida bispos e cardeais, santos e santas, e, logo em seguida, intelectuais e compositores, índios e negros, camponeses. Sei lá, fiquei ali olhando aquilo tudo e neste dia tão paradoxal tive, por um lado, a certeza de que eu não sou católica; e, por outro, vendo as manifestações de fé ali dentro da igreja, de que cada um é o seu verdadeiro templo. É isso que permite, penso, por exemplo, ter um ato de devoção e fé perante uma estátua de Jesus, como eu mesma tive.

Ontem ainda, andando pelo centro, ali na altura da rue des Écoles, topei com esta rua, a rue Descartes, este filósofo do racionalismo francês (mas não só). Interessante este canto de Paris: tem a Sorbonne, que ocupa uma quadra inteira, toda imponente. Ao lado, o College de France, que você fica olhando e imaginando o que acontece e o que já aconteceu ali: seminários de Lévi-Strauss, Foucault e outros mitos modernos. Lévi-Strauss, inclusive, vivíssimo e às vésperas de completar 100 anos dia 28 de novembro (anotem na agenda!). Mas, enfim, neste entorno, como ia dizendo, tem outras coisas, além de livrarias. Espalhadas em diversos estabelecimentos, em ruas próximas, existem várias lojas da Vieux Campeur, uma super-loja de artigos de montanhismo, caminhada, camping e afins. É bem legal. Um pedaço da cidade temperado pela atividade intelectual e a físico-corporal.
Hoje reencontrei uma pessoa querida, a Edilene. Chegamos no Acre juntas, no mesmo ano de 1991 e na mesma Cruzeiro do Sul. Eu andando pela Reserva Extrativista do Alto Juruá e ela na Terra Indígena Katukina (atravessada hoje pela BR 364). Edilene, professora da UFPR, está aqui num pós-doutorado. Fomos juntas almoçar ali pelo centro de Paris (nas imediações do Boulevard Saint German). Depois, esticamos no Café Danton, tão fortemente recomendado pela Bia Saldanha. O café é simpático mesmo, fica em frente ao metro Odeon, num ponto bem movimentado. Ficamos ali batendo papo, falando da vida e de pessoas queridas, como o Mauro Almeida (que saudades!). Acre-Paris, o mundo, afinal, não é tão grande assim, as distâncias, no tempo e no espaço, são percorridas mais rápido do que a gente pensa. Bom mesmo é viver!

Pra finalizar, uma imagem de um dos pontos de "vélolib" aqui de Paris, este perto do Centre Georges Pompidou. Pois é, hoje arrisquei-me em mais um tour de bicicleta pela cidade, saindo do Marais até o Beaubourg. Desta vez já foi mais legal, já me sinto mais à vontade na cidade, um pouquinho mais familiarizada, menos intimidada pelo francês, e, na biclicleta, fiquei, por exemplo, curtindo aquela coisa de quase parar sem colocar os pés no chão, desviando dos pedestres...

Ainda me animei a ir, desta vez de ônibus, até o Café Angelina, que fica na rue de Rivoli, em frente ao Jardin des Tulleries. É um café que data de 1903, diz a lenda que até o Proust já andou lá. Fui experimentar uma especialidade da casa, um chocolate quente chamado "Africaine". Uma delícia! Vem numa jarrinha que dá para duas xícaras e custa 7 euros. Mas nem pense em repartir; você vai querer repetir!

Um comentário:

Edilene disse...

Voilà, le monde est petit! Ainda bem, assim a gente pode se encontrar. Achei o dia ótimo, vamos repetir. Tomara o verão chegue acreanamente em Paris para que possamos tirar o casaquinho na próxima foto!