terça-feira, 19 de agosto de 2008

Boa companhia

Ontem passei parte do dia numa muito boa companhia.

Fala sério, esta turma não é muito alto astral???

Fiquei com vontade de tê-los todos como meus amigos (e a verdade é que é uma amizade interior, então sem empecilhos externos), conviver com eles até sentir esta paz interior que possuem.

E tem uns e umas que são animados, dançam e se divertem com alegria...

Ah, o budismo...

Encontrei esta turma quando fui visitar o Guimet - musée national des arts asiatiques, perto do Trocadéro. É um museu cujo mentor foi Émile Guimet, um rico homem apreciador e fã da arte existente no vasto continente asiático. São cinco andares a percorrer, contando com o térreo. Fiquei nos dois primeiros, não deu tempo e também é muita coisa, gente! Fiquei bastante tempo no primeiro andar, onde está o sudeste asiático (Cambodja, Vietnam, Tailândia, Myanmar e Idonésia) e a Índia. Foi lá que tirei estas fotos, desses budas. Incrível a presença budista na Ásia, e conforme o país há mudanças na representação, nas vestimentas, mesmo na carinha do Buda. Mas há muita influência mútua também.

Mais duas coisas: uma é que olhando aquilo tudo a gente fica pensando que os colonizadores andavam pelos países-colonias rapinando muita coisa. Missões, expedições, doações, são estas as fontes do acervo do museu (que está todo identificado). Mas como era esta missão? Arqueológica, várias delas. Mas aí o que escavava trazia para o país do arqueólogo? Sei lá, deve ser algo assim. Claro que a gente vê lá e está super bem apresentado e zelado. Mas impacta, pois também está fora de contexto e muito longe de casa.

Por outro lado, as obras de arte mudam de lugar, e lá as peças estão expostas como arte - uma arte de cunho profundamente religioso. Fiquei lembrando do Quai Brainly, que já comentei aqui, onde o estatuto de "arte" para as peças não está claro. Mas, no caso da arte, há um mercado. Os quadros do Picasso, por exemplo, que estão nos Estados Unidos foram adquiridos, comprados, ou doados. E as peças que estão no Guimet, por exemplo? As artes não são todas iguais, ou não tem os mesmos estatutos artísticos, ou algumas são mais artes que outras, ou o quê(s)?

Enfim, pra finalizar a conversa conto que passei um tempo também na parte do Tibet, no andar de cima (que tem também o Paquistão, Afganistão, Nepal, China). Bom, pra quem não sabe o Dalai Lama está visitando a França. Tenho muita admiração por ele, fiquei lendo umas notícias no jornal, olhei no mapa os cantos onde ele está andando. Aí quando vi as coisas do Tibet fiquei um tempo apreciando e imaginando que seria muito legal se o Dalai Lama aparecesse ali para visitar o museu, já pensou? Esssas coisas que passam pela cabeça da gente. Aí foi engraçado que numa hora em que eu estava olhando uma pintura grande na qual estão ilustradas passagens importantes da vida do Buda, olhei para o lado e, nossa, que susto! Tinha um monge vestido como o Dalai Lama, aqueles panos vermelhos, laranjas, cabelo bem curto e óculos. Por um átimo de segundo passou pela minha cabeça "será?".

Um comentário:

Marisa disse...

De certa forma, ao contemplar as obras de arte, refletir sobre a cultura a gente entra em contato com o universo espiritual dessas pessoas. Então estavam lá sim, mesmo que não fisicamente.