domingo, 7 de fevereiro de 2010

Dois Cariocas no Rio (II)

Falem o que quiser, podem falar, mas o verão do Rio é único. A praia de Ipanema ontem estava irretocável. O céu azul, sem nenhuma nuvem (esta um artigo raro nesses dias calorentos que correm), o mar azul-esverdeado-transparente, água friazinha, sol esturricante, brisa gostosa, ah, bom demais. Claro que tudo isso assessorado por uma barraca de sol (que se aluga na praia por R$ 5), e cadeiras de praia pra aumentar o conforto (R$ 4 cada). Aí fica assim: vai na água, refresca, nada, mergulha, fura onda, volta pra areia, seca um pouquinho no sol e se refugia na sombra, sentado na cadeira olhando o mar e os passantes, e pensando: ê, vida boa, natureza divina!

Realmente, o Rio, no verão, com suas pedras, montanhas, mata e mar é estonteante. E sempre tem a turma que trabalha na praia pra tornar tudo melhor ainda. Nos últimos anos apareceram os "barraqueiros", que tem barracas maiores logo que você desembarca na areia, onde se alugam cadeiras, guarda-sóis e pode-se comprar cerveja, água mineral, água de coco, e ainda tomar um banho de água doce num chuveiro que canaliza água da rua (do sistema público) não sei muito como. Para quem gosta de tirar o sal, é uma boa. Eu não, sempre gostei de ficar salgada até o último momento.

Mas tem também a veterana turma que pega no pesado mesmo, que trabalha na areia, andando de lá pra cá vendendo tudo que você possa imaginar: os tradicionais mate e biscoito Globo (que eu vejo desde o tempo em que era menina), sorvetes, salgadinhos, cangas e saídas de praia, e até panos indianos...

Chegamos cedo na praia, e saímos na hora do almoço, quando o sol estava pegando mesmo. O Rio está quente, galera, Rio 40 graus total!!!

E aqui me despeço, com esta postagem meio safadinha com gosto de "estou de férias"...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Enem, Sisu, Ufac: uma pergunta

O Enem é o Exame Nacional do Ensino Médio, que avalia a qualidade do ensino médio no país e que está sendo cada vez mais utilizado pelas universidades na seleção de seus alunos, a modo de um vestibular. Muitas universidades já utilizam o Enem para avaliar, total ou parcialmente, os candidatos aos cursos superiores que oferecem. Há, parece, uma tendência de substituição gradativa do vestibular pelo Enem. O último Enem ocorreu em dezembro de 2009, em todo Brasil. Acre, portanto, incluído.

O Sisu é o Sistema de Seleção Unificada, um "sistema informatizado, gerenciado pelo Ministério da Educação, por meio do qual as instituições públicas de educação superior participantes selecionarão novos estudantes exclusivamente pela nota obtida no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem)" (ver: www.sisu.mec.gov.br).

A Ufac, bom, é a Universidade Federal do Acre, que integra a rede de Instituições do Ensino Superior do nosso país e oferece diversos cursos.

Pergunta: por que a Ufac não está cadastrada entre as instituições universitárias que estão oferecendo vagas para os alunos que fizeram a prova do Enem em 2009? Ou seja, quem prestou o Enem no Acre pensando na possibilidade de estudar no estado, não tem esta opção, nem na Ufac nem em nenhuma outra instituição de nível superior.

Por que o Acre ficou fora desta?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Dois Cariocas no Rio (I)

Estamos de férias no Rio desde o último dia 28. Ora, já não era sem tempo: Zé Carlos, que é Carioca no sobrenome, nunca havia vindo ao Rio, e eu, Carioca de coração e criação, estava com saudades da terrinha e da água do mar.

Tomamos o avião madrugadeiro da Gol em Rio Branco, rápida conexão em Brasília, outra bem longa em Guarulhos (SP) e aportamos no Tom Jobim no meio da tarde. Minha cunhada Dani nos buscou e viemos para o Flamengo, casa de Maria e Antonio Carlos, meus pais e porto seguro aqui na Cidade Maravilhosa.

Sábado foi dia de descanso. À noite fomos na famosa “Esfiha” – nome pelo qual toda uma geração conhece uma lanchonete de comida árabe no Largo do Machado – e também ao cinema. Vimos “O Fim da Escuridão” (Edge os Darkness), com Mel Gibson. Recomendo, bom filme policial com trama inteligente e política.

Hoje nos demos de presente uma manhã no Jardim Botânico. Há anos não ia lá, nossa, muito tempo mesmo. Ano passado planejei e não consegui cumprir o planejado. Ainda em Rio Branco, Ailton Krenak foi enfático: “não deixe de ir ao Jardim Botânico!”.

Claro, boa lembrança. Fomos então, tomar café da manhã lá com Júlia, amiga e parenta queridíssima, e passear pelas alamedas cheias de árvores e plantas do mundo inteiro. Tiramos várias fotos, curtimos o visual, as fontes e caminhos. O orquidário foi um capítulo à parte, cada uma mais surpreendente que a outra. Tudo muito cuidado e agradável.

Fechamos o dia agora há pouco, com um banho de início de noite - de lua cheia - na praia do Leme...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Despacho literário!

Estou eu aqui de novo às voltas com o assunto do meu livro. O fato é que desde o seu lançamento, em 2008, estou descobrindo a duras penas as agruras de circular um livro a partir de uma editora universitária nos "confins" da Amazônia. Não é fácil. Minha primeira medida, claro, foi colocá-lo à disposição nas livrarias da cidade, e o fiz na Paim e Nobel. Levei séculos mas consegui colocar o livro no catálogo do site da Livraria Cultura. Estou numa negociação para ter o livro à venda no site do ISA, que só não se concretizou ainda por dificuldades burocráticas, apesar da super-boa vontade de ambas as partes. Que mais?

Procurei a Biblioteca Pública aqui em Rio Branco para saber o destino dos 50 exemplares destinados a FEM, pois desejava doar aqueles que por ventura estivessem faltando para que o livro pudesse estar no acervo de todas as bibliotecas e casas de leitura estaduais. Num primeiro momento, não se conseguia localizar os livros, depois de algum tempo foi-me dito que os mesmos ainda não haviam vindo da FEM, que, por sua vez, disse que "não, foram sim...". E aí o fim do ano chegou e eu deixei a empreitada para este ano.

Como uma caixeira viajante, sempre que viajo levo o livro e dou ou vendo para alguém ou alguma instituição relevante. Sinto que ainda falta fazer um pente fino aqui em Rio Branco mesmo, inclusive na Biblioteca da UFAC, para saber mesmo quantos exemplares tem lá.

Mas o fato é que a maior parte dos livros, cerca de 800, vieram aqui para casa e é daqui, portanto, que estou fazendo esta distribuição pra lá de doméstica. (A EDUFAC, claro, também está fazendo sua parte, mas falo aqui dos meus particulares esforços.) O fato é que findei o ano com uma sensação meio desconfortável, um "peso": aquelas caixas todas aqui, um monte de livros, e eu meio que sem saber como fazer. Outro dia, conversando com o Ailton Krenak, ele me tranquilizou: "o livro vai seguir o seu caminho". Tem razão. Mas resolvi dar um empurrãozinho:

Fiz uma demorada e laboriosa pesquisa na internet, e reuni cerca de 60 endereços de bibliotecas públicas, em especial de instituições universitárias federais e algumas estaduais. Fiz uma carta de doação, e embalei, com ajuda de minha comadre Mariazinha, uma das personagens do livro, um a um. Hoje, com ajuda do meu super-companheiro Zé Carlos, que carregou as caixas pesadíssimas, e assumindo os custos financeiros da empreitada, fui aos Correios e despachei Os Milton para o Brasil!

Rogo que eles cheguem aos seus destinos, sejam bem acolhidos (como merecem) e passem a habitar o imaginário de mais brasileiros.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um ano de vida!

Ontem foi aniversário da Estér Vitória, esta pequenininha que vocês vêem aí acima, no colo da mãe, a Lili, junto com o pai, o Jefferson, e o irmão Pedro. A data natalícia da Estér, nome bíblico cujo significado é "Estrela", foi motivo de grande alegria. Afinal, a Estér é uma jóia mimosa que veio de longe, lá das ondas do mar sagrado, no estado de Pernambuco, para morar com sua nova família aqui no Acre, na floresta, onde, se Deus quiser, ela vai conhecer o poder que aqui reina e aumentar sua fé, sua confiança na vida e em si mesma.

Ah, eu adorei conhecer a Estér, desde a primeira vez que a vi, há umas duas semanas. Você chega e ela já está toda feliz, dando gritinhos pela casa. Gosta das pessoas, vai no colo e encosta a cabeça no seu ombro, toda querida. Ela mostra, todo instante, que está feliz com o presente que a vida lhe deu: uma família, amor e carinho. Nas fotos acima e abaixo, além da família mais imediata, aparecem também as avós maternas (acima) e paterna (abaixo). O tio Robson, que não aparece nas fotos, é outro "coruja" de plantão e gentilmente sempre cede o seu cangote para a sobrinha passear e olhar o mundo de cima.

Que a Estér siga assim: sendo ela mesma, na espontaneidade do seu coração, dizendo ao mundo da sua felicidade e contagiando a gente com sua vitalidade. A vida mal começou, e a Estér já pode dizer que é uma vitoriosa!

Longa vida, muita saúde e alegria para a Estér Vitória! Viva a aniversariante! Viva!


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Volta na Reserva - final

Nesta postagem final de minha última viagem ao Alto Juruá em 2009, resolvi adotar um viés mais estético e colocar imagens que atraíram o meu olhar, que me deram prazer de ver e registrar, que falaram a minha memória visual e afetiva.

Começo com a macaxeira, cuja farinha não pode faltar na dieta seringueira do Alto Juruá. Esta aí, já "arrancada" e "descascada" estava aguardando ser "lavada" para então ir para o "banco" ser cevada, e virar a "massa" que, depois de "prensada", será "peneirada" e "torrada", virando finalmente a farinha! Farinhadas sempre foram das ocasiões preferidas para mim: a família toda ali trabalhando, o dia inteiro na casa da farinha, refeições, conversas, tirar goma para tapioca. Sim, porque há inúmeros derivados da macaxeira: goma pra tapioca e para fazer farinha de tapioca, que depois dá um mingau supimpa, o tucupi, o biju, o biju na folha, e a farinha, é claro. Incrível as batatas de macaxeira, branquinhas, tiradas de dentro da terra - um milagre como destes que só a natureza é capaz.

Esta senhora aí abaixo é a dona Maria, mora do São João do Breu, na comunidade Morro da Glória, é madrasta do Altemir, que visitamos lá. Quando a vi relembrei que a conhecera em 1991, durante o cadastramento dos moradores da Reserva. Fiquei na varanda da casa dela conversando com ela e o marido até o anoitecer, conversa boa, daquelas de gente idosa que sabe conversar, sabe? Ela me remeteu muito à figura de uma ex-escrava, uma descendente de escravos que ela deve ser, aquela mulher negra ali no meio da floresta, tinha uma beleza ali muito particular.

Bom, aí abaixo é um berçário: um viveiro de mudas de açaí (ou abacaba, não recordo bem), que fica lá na casa do Antonio Caxixa, com quem viajei. Um encanto.

Subindo o Tejo, paramos no Iracema e tomamos um café com biju na casa da Tonha, aí abaixo. Lá vi este armário de dar inveja a qualquer dona de casa! Há outros na Reserva, muitos até, vários estilos. Coloquei este aqui, com a Tonha na foto. Vocês acreditam que ela e o marido estão planejando ir embora para a sede municipal e deixar sua casa e benfeitorias para trás? Tudo por causa de escola para os filhos. Sei lá, ponderei com ela que talvez os filhos pudessem esperar um pouco para cursar o 2o grau e aprender um pouco mais sobre a arte do bom viver.

Em seguida, na localidade Refrigério, encontramos a Eliéte, mulher trabalhadora como só visto! Ela e o marido, o João Belo, estão implantando um sistema agroflorestal (SAF) com muita dedicação e esforço. A Eliéte é especialmente talentosa e disposta - uma força. E ali, no meio do SAF, no meio das macaxeiras, milhos, abacaxis e aguanos encontramos este jardim de flor, que, conta ela, plantou para seu prazer e embelezamento do lugar.

Lá na vila Restauração o Caxixa encontrou com sua filha mais velha. Esta moça bonita aí abaixo é fruto de um namoro que não foi pra frente, foi (bem) criada por um outro pai e agora, nos últimos meses, reatou o contato com seu pai biológico, o Caxixa, aí na foto ao lado dela. Pai e filha, gostei da foto, e de ter compartilhado o encontro com o Caxixa, que estava muito feliz.

Já na hora de ir embora da casa de seu Milton e dona Mariana, me pediram para tirar a foto abaixo: Caxixa, dona Mariana, Hilde (nora de dona Mariana) e Salomão (filho de Hilde e neto de dona Mariana). Achei o máximo a posição que eles, por si próprios, assumiram para a foto: uma escadinha de gente amiga!

E pra finalizar este tour, mais uma foto da índia Kuntanawa Mariana. Ela, soube ontem, já está em Cruzeiro do Sul. Está internada, pois a malária a debilitou muito. Mas está melhor, disseram-me. Vai aqui uma outra homenagem a ela, com saudades e votos de pleno restabelecimento.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Volta na Reserva 4

Acho que vale à pena atualizarmos nossas fotos da vila Restauração que, sim, não pára de crescer. Algumas mudanças interessantes após a posse do prefeito, ano passado, e a nomeação de um novo subprefeito, o Nino: a vila agora conta com uma iniciativa de plantio de árvores frutíferas na qual boa parte das mudas vieram dos viveiros Kuntanawa vizinhos e também doados por Caxixa, nosso técnico de campo do projeto Funbio e também funcionário da Secretaria Municipal de Agricultura. O gado também foi todo finalmente retirado da área residencial, e o lixo alocado em um local específico (embora não necessariamente próprio, parece que é uma edificação mesmo). Esta aí abaixo é a sede da subprefeitura.

Pude ver que as casas aumentaram e a área ocupada pela vila expandiu-se. Mas enxerguei também mais fruteiras plantadas, bananais e alguns milharais. Desapareceu a centenária Samaúma que desde sempre esteve ali: deu lugar ao progresso, leia-se uma pista de pouso que foi aberta pela prefeitura e da qual os moradores têm muito orgulho. Não pude visitá-la, mas soube que estava em manutenção devido ao inverno.
A igreja católica recebeu nova pintura.

A vila conta agora com um hotel (olha o letreiro lá em cima na foto abaixo).

A escola de segundo grau foi ampliada com mais um bloco de salas. As igrejas evangélicas cresceram: são quatro agora. O açude do Osterno, do outro lado do rio, em frente à vila, tem abastecido os moradores com peixe.
Taí, a vila, um lugar estabelecido, um jeito de morar na floresta. Isso está merecendo um estudo mais apurado um pouco, vocês não acham?