quinta-feira, 14 de agosto de 2008

De l'eau

Uma das primeiras coisas que me chamou atenção aqui foi a água. Sou uma bebedora inveterada de água. Então, uma das primeiras coisas que consumi aqui foi justamente água. No Brasil já haviam me prevenido: você pode beber água da torneira - nos restaurantes e cafés, inclusive, ela é servida, de graça - mas não é tão boa e tem calcário. Muito calcário. Não lembro exatamente por quê todo este calcário, mas o fato é que tem.

A esponja ou o pano de pia, por exemplo, depois que secam ficam durinhos; você molha, volta ao normal; secou, fica duro de novo. Pra lavar roupa, tem um produto que é para pôr junto na água justamente para combater os efeitos do calcário na roupa; há produtos de limpeza para retirar excessos de calcário que com o tempo ficam em locais como boxes de banho, pia do banheiro. Se você faz um chá com água da pia, ferve e tudo, mas depois que esfria, no dia seguinte, você vai olhar lá onde fez o chá e tem uma natinha esbranquiçada. Vai lavar o cabelo, bom, é claro que tem algum efeito. Não, o cabelo não fica esbranquiçado, mas não fica aquela coisa macia e natural, achei. Mas neste ponto não é muito diferente da água tratada da Saerb, por exemplo, de Rio Branco. Hoje tenho poço em casa, mas quando usava a água da Saerb para tomar banho, vivia insatisfeita com o jeito que ficava o meu cabelo.

Enfim, o melhor é beber água mineral comprada, engarrafada, como nós aí. Não vi aqui aqueles garrafões de água de 20 litros que a gente compra aí no Brasil. Há muitas marcas de água mineral, aí comecei uma pequena "pesquisa" depois que provei a primeira e achei o gosto muito ruim. Cada vez que vou comprar, experimento uma marca. Sinceramente, no geral, todas são ruins, quer dizer, o gosto é muito ruim. Pelo menos para o meu paladar. É um sabor de água com sabão, sei lá; é um gosto que não parece "natural", parece que colocaram alguma coisa na água, ou coletaram numa fonte de má qualidade. Gente, é ruim. Estou sendo enfática, mas é que tem delas que bebo um gole e penso "ai, que água ruim", não dá pra abstrair.

Essas são algumas das águas que andei experimentando. A "Evian" é um socorro; a "Volvic" achei menos piorzinha; essas daí de cima não salvou uma (a da direita, inclusive, tem a maior cara de embalagem de produto de limpeza); acima entrou uma contrabandeada gasosa, a "Pelegrino", que é boa, quer dizer, com gás pareceu-me mais palatável. Em geral elas custam menos de 1 euro. Teve uma outra que gostei, que é boa mesmo, gostosa, e que acabei não guardando a garrafa. Lembro que era cara (1 euro e tanto), comprei uma garrafa pequena para experimentar numa loja de produtos naturais, orgânicos, que aqui são carérrimos.

É duro, porque está seco o tempo, a pela resseca legal, e a gente sente sede. Vai beber água, hum, aquele gosto... Ai, que saudades da Ver'água e da MontMário!

Um comentário:

Maurício Bittencourt disse...

Olá Mariana, estou acompanhando a epopéia aqui do Acre e gostando do seu "jornalismo" despretensioso. Engraçado, eu estava falando sobre l'eau hoje aqui em casa. Em Rio Branco está um calor de rachar e estávamos saboreando uma gostosa Verágua geladinha. Aí eu me toquei: tem muita gente q não bebe mais água! O pessoal só bebe refrigerante e suco, industrializado, é claro. Na França deve ser a mesma coisa, o q talvez explique essa indiferença.