Dali partimos para um local, uma parcela de terra pequena, em torno de 5 por 8 metros, e Benki indicou inicialmente os locais onde as mudas de coco (num total de três) poderiam ser plantadas. Como fazê-lo? Estava eu interessadíssima no assunto: mais um passo nos meus planos futuros de ter um dia uma propriedade com muitos pés de coco. Pois bem, aprendi que, escolhido o local, uma cova de meio metro de fundura deve ser cavada, sendo seu diâmetro também de 50 centímetros. Feito isso, a cova deve ser toda preenchida com terra estrumada (com cinza, esterco ou outro paú) e o coco plantado sem que seu “cólo” (da onde saem as palhas) seja inteiramente coberto. Última etapa: cobrir a terra em volta do coco com capim para que o sol não judie da muda recém-transplantada ou a chuva não a encharque impiedosamente.
Índios, seringueiros e agricultores moradores da região começam a perceber que novas alternativas precisam ser criadas para a vida na região. Ouvi vários moradores duvidando do gado como uma alternativa realmente vantajosa, embora eles mesmos tenham investido nesta opção. Contudo, observam, os desmatamentos estão excessivos, não dá pra negar, e, afinal, está-se dentro de uma Reserva; os igarapés estão secando, a terra ficando dura como barro; e o rendimento auferido com o gado é no longo prazo e com muito investimento. Estas ponderações, estas dúvidas sobre que caminho seguir, são salutares e também portas de entrada para novas idéias e práticas.
Ver esta conversa acontecer, com seus impasses, diferenças e sinergias é algo que estimula e põe lenha na chama da minha esperança – que anda meio bruxuleante, como se sabe.