





Dentro do Museu tem outras coisas lindas, como o beijo, escultura famosíssima e de grande sensibilidade. Aliás, há várias esculturas em mármore que envolvem casais, homens e mulheres.


Dentro do Museu tem outras coisas lindas, como o beijo, escultura famosíssima e de grande sensibilidade. Aliás, há várias esculturas em mármore que envolvem casais, homens e mulheres.
Pois é, teve show deles
Outro detalhe: crianças, havia várias delas no show com seus pais, duas delas inclusive num canto do palco. A mãe dançava animada na turma do gargarejo, e as duas crianças no palco, na mesma animação. Parecia festa de seringal, que dá de tudo: homens, mulheres, velhos, crianças, todos dançando.
Em setembro eles estão de volta para o lançamento do DVD e novo show. Demais os Los Porongas, virei fã! Sugestão: visite o blog deles, tem informações, vídeos, canções e otras cositas más. É, parece que me iniciei mesmo...
(Vou resistir a tentação de esbravejar e dizer que agora acorda-se, espreguiça-se, mas sair da cama já não é tão fácil: não encontramos o sol no céu, e sim a noite nas suas últimas despedidas. E que já não dá para cantarolar aquele hino do Mestre que diz “seis horas da manhã, eu devo cantar, para receber a meu Pai Divinal”. Vou pular esta parte e voltar para o aconchego, ou melhor, para o astro nosso rei. Em tempo: sempre é possível, às sete horas do horário “oficial”, lembrar que na verdade são seis e cantar o hino; e ainda lembrar que lá no Alto Santo, o fuso permanece solar.)
Hoje estive conversando com uma amiga que dizia que o sol não nasce, nós é que vamos em direção a ele, já que ele está no seu lugar, reinando, e a Terra que vai girando e a ele nos mostrando. Tem hora que mostra um lado do planeta, tem hora que mostra o outro; assim tem-se o dia e a noite. Tá certo, o sol não nasce. Mas é também um modo de dizer, de ler a natureza, de dar sentido cultural-espiritual-estético a um evento natural. O assunto é interessante, vamos a ele.
É uma prova de que, ao contrário do que costumamos achar, a sociedade e a natureza não são coisas tão estanques assim; elas vem juntas num só pacote. Não há um sol externo, transcendente, acima de todos, com uma verdade própria e independente de nós – embora assim também ele exista; quanto à sociedade, não somos nós que a produzimos independentemente de tudo, numa imanência – embora também seja assim. Afinal, o que é e o que não é? O que é o quê? Justamente aí é que mora o perigo: nas coisas que “definitivamente” são e não são.
Assim é o pensamento ocidental: separa as coisas, especializa, as purifica, você para cá (por exemplo, os fatos da ciência) e você para lá (respectivamente, os fatos da política). Mas basta ler um jornal com Bruno Latour, ou mesmo prestar atenção nas conversas do dia à dia, para constatar a abundância não de “purezas”, mas de híbridos, de misturas. Você começa a ler uma matéria sobre o milho trangênico (um feito científico), e logo passa para os interesses (econômicos) da Monsanto, para o papel (político) da CNTBio e do MMA, para as políticas protecionistas dos países do Norte, para a fome nos países do Sul (estamos em plena geopolítica!), e para o direito do consumidor de saber o que ele está comprando nas prateleiras do supermercado. Misturou tudo. Relações foram estabelecidas, muitos agentes entraram na história, cada um fazendo links – e ao final há uma rede tecida e sempre pronta a ter pontos desmanchados e outros acrescentados. Separar “alhos dos bugalhos”, digamos, é um artificialismo sujeito a mil contradições.
Tentemos agora voltar ao amanhecer.
Quando falamos do sol, ou pensamos nele, o fazemos de determinada forma, estabelecemos relações várias. Por exemplo: sol-nascimento-luz-despertar-trabalho. Assim, o sol não é apenas um astro do cosmos, uma estrela, embora o seja, claro, mas sua natureza é híbrida, ou melhor, sua natureza é cultural e sua cultura é natural. Naturezas-culturas, são o que existem neste mundo, e não culturas, afirma Latour, pensador ousado. Pressinto (a ficha ainda não caiu) que nos seus escritos há uma alternativa a toda esta sensação de que nós, ocidentais, somos um desastre; há uma saída que não é apenas uma mea culpa. É... mas do que falávamos? Ah, sim, do sol!
Ao falar do sol, chamo em meu auxílio uma rede de fatos outros, a ele conectados, por mim ou por outros, e se tenho consciência disso toda a ilusão de pureza se desfaz. Posso falar que o sol nasce, ou que eu vou na direção em que ele está – são opções que não tem a ver apenas com o fato natural do sol, mas com conhecimentos e sentimentos vários. Antes de Copérnico e Galileu, era a Terra que ficava parada. Hoje sei que não é assim, mas, interessante, quando falo que o sol nasce parece que é a antiga concepção de que o sol se mexe e nós não que está operando; talvez uma concepção antropocentrada demais, pensando bem. Quando falo que eu vou em direção ao sol, talvez esteja sendo mais fiel ao movimento físico que de fato tem lugar, mas faço esta opção não apenas por causa deste conhecimento. Nesta decisão há uma concepção de vida envolvida, que por sua vez pertence a uma rede ampla de sentimentos, crenças e outros tantos conhecimentos.
Meu ser anseia por acordar com o sol (como se ele acordasse...).
O nosso secretário de Florestas, o Rezende (Carlos Ovídio Duarte Rocha), numa entrevista que vale a leitura (clique aqui) afirma que entre 5% e 6% da madeira extraída no estado é ilegal. O repórter até se espanta, já que no Pará, por exemplo, este número parece que beira os 80%. Também fiquei espantada. Nossa, que eficiência de fiscalização! Quando a gente vê a situação do Ibama no estado, sei lá, fica meio desconfiada desses números. Como eles são produzidos? Quais são as fontes que os [aos números] abastecem? O Rezende diz que um dos motivos para esta redução da ilegalidade seria a política governamental de implementação de planos de manejo florestais: quer explorar a floresta? Tem que ter plano de manejo!
Bom, entendo que manejo é algo que sempre existiu nessas florestas e realizado por quem mora nela há tanto tempo: as populações nativas.
Mas o que é novo, então? O produto (madeira), o mercado (ávido!), sua cadeia produtiva (um capítulo a parte, já que extensa e cara), as questões legais (entre elas o plano de manejo), as políticas do governo (que agora incluem algo como as Parceiras Público-Privado-Comunidade, como fala do Rezende) – e o fato de que se espera que tudo isso mantenha a floresta em pé!
Bom, cada um dos fatores citados acima mereceria comentários. Farei alguns poucos. Pergunto-me como o manejo madeireiro interage com o sistema de manejo tradicional: o fortalece? Ou seus ganhos monetários tendem a descaracterizar o sistema? Claro que teríamos que considerar outros fatores aqui nesta interação, tais como o crescimento do número de rebanhos de gado entre as populações florestais, o aumento da importância dos ganhos monetários (notadamente salários) na floresta e ainda as mudanças na forma de ocupação do espaço, que parece tender a um processo de “vilarização” ou a uma maior concentração das residências em função da oferta de equipamentos públicos (escolas, por exemplo). Talvez o manejo madeireiro esteja se realizando num contexto bem diferente do tradicional sistema de colocações. Então, que realidade florestal estará se desenhando?