Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Saramago II
Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Saramago I
sábado, 25 de dezembro de 2010
Feliz Natal!
E pra finalizar, uma foto iluminada da nossa Bebel, que preparou o petit gateaux. Ela acaba de voltar de uma temporada nos States, na casa da Cila e do Marcus, e voltou cheia de novidades: tá mais linda do que já era, descobriu a maquiagem (de leve) e incrementou seu astral com a experiência toda. Um axé, esta Bebel!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Nasce uma Estrela

Nascer e morrer são complementariedade e mistérios. O bom é que os mistérios não são desvendados e assim não quebram os encantos da vida. Acredito que os seres encantados, os seres iluminados, nos sustentam na terra. Acho que eles nos mantêm ligados a natureza. São muitos os bons seres iluminados em órbita e, ontem, dia 20 de dezembro de 2010, ganhamos em outro plano a força da proteção do Sr Raimundo Luiz Yawanawa, que fez sua passagem.
Ficamos todos tristes, ficamos com saudade. Mas confortados pela força transformada do “Velho Raimundo”, como era chamado com carinho. Já sabemos de sua trajetória como liderança yawanawa, que lutou pela sua terra, que organizou seu povo para este mundo diverso. Junto com a luta pela terra o “Velho Raimundo” era um homem muito sabido. Sabia muito dos conhecimentos indígenas milenares. Sabia dar conselhos, sabia e gostava de ensinar, sabia ouvir. Outra característica marcante era o encanto absoluto com sua risada altíssima, inconfundível, que muitos de seus muitos filhos herdaram. Alegre, muito alegre. Como um membro nato da família lingüística pano, sua etiqueta de bem receber era absoluta: convidava, oferecia, trocava, informava, encantava o visitante e adorava filosofar. Incrível sua capacidade de entender e explicar as coisas, o mundo, os fatos dos mundos indígena e não indígena.
Bravamente segurou firme um tratamento de quimioterapia em Rio Branco, mas foi em Tarauacá, mais perto de sua terra indígena e de seus parentes, que escolheu virar um ser iluminado. Na verdade ele fez uma parada em Tarauacá, no caminho de volta para sua aldeia atual, chamada Mutum. Ontem, subiu o rio numa canoa, passou pelo Mutum e vai ficar todo o tempo no Kaxinawa, o primeiro lugar do povo Yawanawa, o lugar atual dos sábios e dos seres iluminados.
Um pouco antes de ir por definitivo conversou com Julia, Tashka, Mariazinha, Sales e outros familiares e pediu que segurassem o que ele começou, pediu que cuidassem da terra indígena, que não voltassem atrás, que seguissem seus ensinamentos. Eles disseram que assim será.
O Velho Raimundo Luiz foi uma escola diferenciada para nós todos. Agora virou ser iluminado, ou nasceu estrela, mas sua luz continuará brilhando em florestas e cidades para fazer deste, um mundo mais pró índio.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Dicas de ouro

"Este é o 1º registro da obra musical do Sr Antônio Pedro da Silva, que aos 68 anos de idade tem agora a oportunidade de apresentá-la para a humanidade. Após 2 anos de pesquisa, apresentamos este documento sonoro histórico que procura retratar e reviver o panorama da música de raiz dos seringais do interior das florestas do estado do Acre, mais precisamente as regiões do alto Envira e rio Purús, abrangendo os municípios de Feijó, Manuel Urbano, Sena Madureira e Boca do Acre."
Este ano o seu Antonio Pedro e banda lançaram dois CDs, produzidos por meio da Lei de Incentivo a Cultura: "Enverseios" e "Festa no Seringal". Quem ainda não conhece, cuida!!!

domingo, 24 de outubro de 2010
Escapando por pouco...
Atendo. De forma rápida uma moça começa a falar, dizendo que era da TAM e ItaúCard. Ela falou isso muito rápido, não me deu tempo nem para processar, e em seguida começou a dizer que eu era portadora agora de um novo cartão que ia me dar acesso a isso e aquilo da TAM nas minhas viagens, não ia pagar multa etc etc. Ela falava tão rápido que eu não lembro direito tudo que ela falou, e eu também não estava muito interessada. Pouco viajo pela TAM, acho um saco esses telemarketings, mas havia feito uma viagem recente ao Maranhão e minhas pontuações tinham aumentado e isso devia ter resultado na minha "promoção" do reles cartão branco para algum de outra cor, e além disso, coitada, não ia desligar na cara da moça, afinal ela também é um ser humano, trabalhando pra viver... E ela continuava falando.
De repente, mudou. Já era outra pessoa no telefone, outra moça, que aí se apresentou acho que como consultora e já foi conferindo uns dados meus, tipo idade, RG, nome, profissão, e aí eu perguntei: "mas pra quê tudo isso?". E ela: "não, dona Mariana, é porque nós temos que checar os seus dados cadastrais...". Sei. De repente, no meio daquela verborragia toda ouvi a palavra-chave: "anuidade". Fiz rápidas sinapses: anuidade em cartão de companhia aérea???? "Epa, peraí, isso tudo é cartão de crédito?", perguntei interrompendo a moça. "Sim, dona Mariana", disse ela, "do ItaúCard". Ah, minha filha, tô fora. E assim, tão rápido como a conversa tinha começado, terminou. A moça se despediu com uma rapidez de dar inveja a quem deseja terminar rápido uma conversa e não sabe como fazer. "Escapei por pouco", pensei.
Alguém já viu o filme "Zeitgeist"?
domingo, 29 de agosto de 2010
Manifesto contra Belo Monte
Assinatura da Concessão de Belo Monte é mais uma ofensiva macabra para sentenciar a morte do rio Xingu
Os funcionários do Planalto ainda não terão limpado os restos da festança que comemorará o retorno do Presidente da República ao seu Palácio nesta quarta, dia 25, e o governo federal assinará a sentença de morte do Xingu e a expulsão de milhares de cidadãos de suas casas, o pouco que ribeirinhos e pequenos agricultores das barrancas do rio podem chamar de seu.
Num ato de escandalosa afronta a convenções internacionais de direitos humanos, à legislação brasileira e à Constituição do país, o governo firmará, nesta quinta, 26, o Decreto de Outorga e o Contrato de Concessão da UHE Belo Monte com o Consórcio N/Morte Energia no Palácio do Planalto.
A assinatura ocorrerá antes do Ibama ter concedido a Licença de Instalação à obra, que, por lei, deve anteceder mesmo o processo de licitação (artigo 4 da resolução 006 do CONAMA), e enquanto ainda tramitam na Justiça 15 Ações Civis Públicas contra a Licença Prévia, contra o leilão e por violação de Direitos Humanos e Constitucionais das populações ameaçadas.
Neste ato, serão rasgados acordos internacionais como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Convenção sobre Diversidade Biológica, que exigem o consentimento livre, prévio e informado dos Povos Indígenas e Comunidades Locais em caso de empreendimentos que afetem suas vidas.
Será consolidado um procedimento que ressuscitou um autoritarismo aterrador por parte do governo, que instou o Tribunal Regional Federal a derrubar sem a mínima avaliação dos argumentos jurídicos três liminares concedidas pela Justiça Federal contra a obra e o leilão, constrangeu procuradores do Ministério Público Federal através de ameaças abertas por parte da Advocacia Geral da União, e avalizou um projeto que custará mais de 19 bilhões de reais – a maior parte advinda de fundos públicos como o BNDES e de fundos de pensão - sem a menor garantia de viabilidade econômica, representando uma grave ameaça ao erário público.
Há mais de um ano atrás, em julho de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em audiência representantes da comunidade científica, lideranças indígenas e sociais e o bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Kräutler, e garantiu textualmente a seus interlocutores que não lhes “enfiaria Belo Monte goela abaixo”. Também se comprometeu a responder algumas questões, que lhe foram enviadas por carta posteriormente:
- O que diz Lula ao Brasil sobre a ineficiência energética da usina, que na maior parte do ano só produzirá 40% da energia prometida?
- Que garantias Lula dá às populações do Xingu de que não serão construídas outras três usinas – Altamira, Pombal e São Felix do Xingu – no rio?
- O que diz Lula sobre os impactos às populações indígenas?
- Qual o número de atingidos pela obra que serão deslocados de suas casas?
- O que será da população dos 100 km da Volta Grande do Xingu que secarão com Belo Monte?
- O que diz Lula sobre a pressão populacional que a região sofrerá com a migração de milhares de pessoas para Altamira, em busca de emprego e oportunidade?
- Qual é, afinal, o custo da usina?
- Qual será a tarifa cobrada da população brasileira pela energia produzida por Belo Monte?
Estas perguntas nunca foram respondidas pelo presidente. Não foram respondidas satisfatoriamente por ninguém. As populações ameaçadas, todos nós brasileiros, fomos escanteados, desrespeitados em nossos direitos, tivemos nossas leis pisadas na lama e nossos direitos ridicularizados.
A assinatura do Decreto de Outorga e do Contrato de Concessão da UHE Belo Monte, um dos primeiros atos oficiais no reluzente e recém-reinaugurado Palácio do Planalto, deixará uma mancha macabra e feia. Mas não extinguirá a resistência de indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores que lutam por suas vidas no Xingu, e por tudo que o rio e as matas são para eles e para nós: garantia de futuro. Vergonha sobre o governo! Belo Monte não passará!
Assinam:
Dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu
Movimento Xingu Vivo para Sempre - MXVPS
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB
Conselho Indigenista Missionário - CIMI
Rede Fórum da Amazônia Oriental - FAOR
Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre, Belém/PA
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Instituto Amazônia Solidária e Sustentável - IAMAS
Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé
Instituto Socioambiental - ISA
Society for Threatened Peoples International
Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
Instituto Terramar
Justiça Global
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Instituto Humanitas
Associação Floresta Protegida - Mebengokré/Kayapó
Instituto Ambiental Vidágua
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
IBASE
Centro Legal de Defensores do Meio Ambiente - EDLC
Survival International
FASE AMAZÔNIA
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia - MAMA
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense - FMAP
Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA
Terra de Direitos
Fundação Tocaia
Campa - Cooperação Associativo Ambiental Panamazônica
Fórum Carajás
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
COMITÊ-DOROTHY
OPERAÇÃO AMAZÔNIA NATIVA – OPAN
Associação Civil Alternativa Terrazul
REDE SOCIAL DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS
Centro de Defesa dos Direitos Humanos
Educação Popular do Acre-CDDHEP
Articulação de Mulheres Negras da Amazonia Brasileira - FULANAS
Rede Jubileu Sul Brasil
Rede Jubileu Sul Américas
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul - PACS
Forum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Assembléia Popular Nacional
Grito dos Excluídos
Sindicato dos professores de Nova Friburgo e região
“Toda vez que nos unimos reforçamos nosso movimento. Temos que continuar lutando pela vida, pela cultura e biodiversidade e floresta; os velhos, os jovens e as gerações futuras não desistirão nunca da luta contra Belo Monte!" - Cacique Raoni Metuktire, Altamira, agosto de 2008
terça-feira, 24 de agosto de 2010
No Festival Pano - final
Vi também, no Festival, as primas e primos reunidos, e lembrei deles ainda crianças, também juntos, brincando, correndo, brigando, chorando. Na foto abaixo, de 1998, estão (da esq. para dir.) Ebismarque, Alisson, Davi, José, Marlene, Adriano e, sentadas, Macilene e Maciléia.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
No Festival Pano 4
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Fogo! Fogo!

Ah, gente, um horror ver as árvores serem devoradas pelas chamas. Sinistro. E lamentável. Um retrato da nossa situação atual: seca, fumaça e a floresta queimando. Estamos todos, direta e indiretamente, colocando fogo e criando o nosso próprio inferno.
Onde tudo isso vai parar? Quando vamos parar? Hoje vi carros andando com um pano preto em sinal de luto pela morte de um parlamentar. Pensei em algo similar em protesto pela morte das nossas árvores, palmeiras, animais e oxigênio.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
No Festival Pano 3
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
No Festival Pano 2
E às vezes a coisa acabava na pancadaria, como foi a brincadeira da cana!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
No Festival Pano 1
O Festival começara no dia anterior, e se estendeu até o dia 31. Foram, portanto, seis dias de atividades, em sua maioria de confraternização, como rodas de mariri no terreiro central, brincadeiras diversas, apresentações musicais, pescaria tradicional, troca de presentes, o ritual esquimó da tenda do suor e, claro, rituais com ayahuasca e o rapé. Conversas mais institucionais, sobre o projeto Corredor Pano e a recente criação de uma nova entidade - a Ocip Instituto Guardiões da Floresta, IGF - também ocorreram, mas não foram a tônica do evento. O objetivo principal parecia ser mesmo o encontro e festejo das dez etnias ali presentes (Kuntanawa, Huni Kuin, Yawanawa, Shanenawa, Shawãdawa, Jaminawa, Nukini, Marubo, Katukina e Ashaninka, esta do tronco Arawak) e seus convidados brasileiros (entre acrianos, cariocas, paulistas, brasilienses) e estrangeiros (que incluíam um "pajé" esquimó, ingleses, alemães, espanhóis, suiços). Todo este grupo totalizou algo em torno de 200 pessoas reunidas, além dos visitantes das imediações.
Pra contar um pouco o que presenciei por lá, farei uso de imagens e legendas para as mesmas.
Os Shanenawa, do rio Envira, também compareceram numa delegação expressiva, marcando uma presença forte no terreiro do Festival, sempre juntos. Cantaram bastante e era um grupo com que se podia contar para iniciar as brincadeiras.