sábado, 17 de maio de 2008

Formatura

Dia 14 de maio foi a diplomação dos 14 alunos que concluíram o Curso Experimental de Iniciação à Língua Hãtxa Kuin. Em duas ocasiões falei deste curso aqui neste blog (clique aqui e aqui). Na verdade, o curso mesmo encerrou-se no dia 8 de maio, última aula onde avaliamos nossas 50 horas de atividade e fizemos um lanche comemorativo bem gostoso, para o qual todos e todas contribuíram. E tiramos a foto abaixo.


A cerimônia do dia 14, portanto, foi mais formal: recebemos nossos certificados, ou diplomas, se preferirem. Havia convidados ilustres, como o Marcelo Iglesias, o Txai Terri, o Marcos Afonso, a Vera Olinda e o Francisco Pianko. Edgar Di Deus, à frente da Biblioteca da Floresta, e Fátima, seu braço direito, comandaram a cerimônia. Houveram falas, dos convidados e dos alunos. Muita coisa foi dita, muita gente agradecendo a oportunidade e querendo continuar. Sugeriram-se coisas, como o aprendizado de outras línguas indígenas e um curso de "antropologia indígena" (e não indigenista).


Esta proposta - da antropologia indígena - foi feita por mim. Penso numa oportunidade que não conseguimos ainda criar na Ufac no âmbito do projeto da "universidade da floresta". Trata-se de criar espaços - espaços dignos e prestigiados - onde anciãos, pajés, caciques, artesãs, por exemplo, possam nos falar sobre o mundo que vêem, que constroem e em que vivem. Quiçá possamos ampliar nossa compreensão sobre o que designamos como "a floresta"; e subverter um pouco nossa maneira de pensar as coisas. É, filosofia indígena mesmo.


O Txai Terri nos lembrou do alto rio Negro, onde línguas indígenas foram transformadas, por leis municipais, em línguas oficiais. Ou seja, documentos públicos, por exemplo, segundo ele nos explicou, devem estar escritos não só em português; nas repartições, se bem entendi, há que haver intérpretes. O Txai então lembrou do Município do Jordão, de maioria esmagadora Huni Kuin. Por que o hãtxa kuin não poderia ser uma língua oficializada? Afinal, o grosso da população ali é bilíngue, ou tem o hãtxa kuin como sua língua principal. Achei tudo isso bem interessante.


Acho que o nosso professor, o Joaquim Maná, na foto com uma expressão muito sugestiva, também achou tudo muito interessante. O que estará pensando? Lembrei agora dos gauleses que diziam: "esses romanos são todos loucos"...

Um comentário:

Cris Moreno disse...

Bom dia. Obrigada pelo link. Levei este post para o morenocris. Hoje, mais do que nunca, precisamos de suas palavras de sabedoria sobre os "nossos" índios.

Beijos.