quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Tailândia é aqui

Tailândia da Floresta da Amazônia. Por que será este nome? Não consegui saber, mas de todo jeito é o município paraense que centralizou a primeira investida da operação “Guardiões da Floresta”, promovida pelo Ibama com apoio da Polícia Militar para reprimir o desmatamento e comércio de madeira ilegal. E foi mesmo um investida ao campo inimigo.

Tailândia da Floresta da Amazônia fica na rodovia PA 150, há uns 200 quilômetro da capital do estado, Belém. Tem cerca de 50 mil moradores. Ao que tudo indica, é a madeira – ilegal – o seu principal produto econômico, e as madeireiras o principal empregador. Quando a operação foi deflagrada, nesta última semana, logo de cara mais de 15 mil metros cúbicos de madeira ILEGAL foram apreendidos. Só uma madeireira, a Taiplac (Tailândia Lâmina e Placa Ltda) tinha no seu pátio 5,2 mil metros cúbicos cortados ilegalmente.

Mas o que são 15 mil metros cúbicos? Imagine 1 caminhão carregado de toras de madeira. Imaginou? Agora multiplique por 500 e você tem o que seriam esses 15 mil metros cúbicos. Sei lá, se em cada caminhão a gente colocar umas 6 toras (árvores abatidas), seriam umas três mil árvores de uma só vez! Além dessa apreensão absurdamente grande de madeira, no primeiro dia foram ainda destruídos 130 fornos clandestinos de carvão vegetal e mais de R$ 2 milhões em multas foram aplicadas.

Ou seja, o inimigo foi provocado. E reagiu. Rugiu.

No dia 19, ao que tudo indica com apoio e incentivo dos empresários madeireiros, moradores de Tailândia impediram que os 15 mil metros cúbicos de pura ilegalidade fossem retirados do Município. Queimaram pneus, ameaçaram os fiscais que comandavam a operação, ocuparam as vias de acesso as serrarias, uma loucura, quase uma guerra. Uma guerra pela floresta, fiquei pensando. O clima esquentou mesmo na Tailândia.

Não sei se os fiscais e agentes governamentais estão neste pique de guerrear pela floresta. No limite, estão cumprindo a lei. Já é alguma (grande) coisa. Mas imaginem: isso tudo num município só, lá do Pará. Mas o desmatamento conhece outros pontos críticos, como a Terra do Meio, no mesmo Pará, o estado do Mato Grosso com seus poderosos empresários do agrobusiness e outros investimentos, acredito mesmo que no setor madeireiro e pecuário – essas três coisas costumam andar juntas (como umas “irmãs Cajazeiras”, pra quem se lembra). E temos ainda Rondônia...

Vamos lembrar que estamos às vésperas de uma outra operação, a Arco de Fogo, esta voltada para combater o desmatamento na Amazônia como um todo. Os números do INPE e de outros institutos conceituados, como o IMAZON, são inegáveis: a floresta tá indo pro pau, como se diz. Tá sendo derrubada. Esta operação, que a Ministra Marina, e aqui vou defender, está lutando pra acontecer, apesar da não-posição do nosso presidente (valha-me Deus!) e de todos os percalços, como a falta de grana...Falta de grana, quem acredita? Pra defender a floresta, que o mundo todo diz que é a coisa mais importante!? Seria ridículo, se não fosse tão grave.

Se vamos mesmo combater a atividade madeireira ilegal, preparem-se para a guerra. Tailândia da Floresta da Amazônia, que daqui há pouco seria “Tailândia Desflorestada da Amazônia”, é só um exemplo, um piloto, digamos. Os moradores lá dizem, segundo a imprensa, que vão ficar sem emprego caso a atividade seja interrompida; o prefeito e políticos, que o município vai entrar em colapso. É, meu irmão, o negócio é sério. Desculpa aí, mas vamos mudar de vida. Quem quer mudar de vida?

Um comentário:

Lindomar disse...

Cara Mariana,

No início da década de 90 quando eu atuava no Sul do Pará a stuação em Tailândia já era muito grave. apartir das 17:00 era quase impossível respirar por causa da grande quantidade de fumaça resultante da queima do pó da madeira e dos fornos. No entorno de Tailândia seguramente já não há mais madeira em pé. Se houver é milagre e pouquíssimas.
O triste é que todos os governos sabiam, e sabem, mas nunca fizeram nada. O município de Dom Eliseu (antigo Km 0), na Belém/Brasília, em 1992, possuia uma população de 3.000, pessoas contando a área urbana e rural, e 86 serrarias. Parte significativa daquelas serrarias eram financiadas por recursos públicos e por meio de agentes oficiais, como se fossem investimento para o desenvolvimento da região.
Continuamos sendo realistas mas não resignados.

Bom trabalho.

Lindomar Padilha