Dando continuidade aos relatos de primeira mão de nosso amigo-nativo, que protegerei aqui sob o pseudônimo de N´avi, chegou-me hoje as mãos um novo email dele, contando sobre um levantamento realizado pela GEORADAR em 2011 e do qual tomou parte como mateiro. Novamente, como no primeiro relato, "traduzo" o texto logo após o original, com algumas dificuldades, como ficará visível na leitura.
É também visível a preocupação de N'avi com o que pode acontecer com a mata e todos os seres que nela vivem. A empresa aparece citada, claro, e o IBAMA também, como ausente, ou omisso.
esta empresa,mim proucurou, para faze um alevotamento,para ele mais ,
como mateiro,ela para dentefica,árvore, e todo que fica no solo, eu fui mais tanto que eu fis e falei para o IBAMA, que para esta
empresa,começa, seus trabalho, é eu falei, todo que eu vim é que
porderia, acom tesse sifosem, vedade mesmo mais aminha esperança ela que
estor, não acotecesim, mais, mesmo assim esta com ano que eles mim
proucuram,mais o trabalho,que eu fis com eles, o IBAMA não deu,aminima
teção é final, mente , ela já comesou, o trabalho, quando, eles mim
proucuram, fis questão dii ,com eles mais não a diantou, nada, oslugare,que eu fui que estava no mapiamento,deles todo ponto do
GPS ficou peto da bela dos Rios é igarapés,é também, muito Rasto de
caça como porco é veado todo outro,animais, eu coloquei no Relatório que
eu fis para eles,mais mesmo asim, não adiantou,na
da, estou, preucupado, agora, o que pode a contesse, com noça mata, eu não tenho solução, porque nosso
governo,não dar valu vida nem de jente é nem ,dos animais, abraço do
amigo
Esta empresa [a GEORADAR] me procurou para fazer um levantamento para ela, mas como mateiro, era para identificar árvores e tudo que fica no solo. Eu fui mas tanto que eu fiz e falei para o IBAMA que para esta empresa começar seus trabalhos, e eu falei tudo que eu vi e que poderia acontecer se fosse verdade mesmo, mas minha esperança era que isto não acontecesse. Mas mesmo assim está com um ano que eles me procuraram mas o trabalho que eu fiz com eles o IBAMA não deu a mínima atenção, e finalmente ela já começou o trabalho. Quando eles [da GEORADAR] me procuraram fiz questão de ir com eles [ir no IBAMA], mas não adiantou nada. Os lugares que eu fui, que estavam no mapeamento deles, todo ponto de GPS ficou perto da beira dos rios e igarapés, e também muito rastro de caça como porco e veado e todo outro animal. Eu coloquei no relatório que eu fiz para eles, mas mesmo assim não adiantou nada. Estou preocupado agora com o que pode acontecer com nossa mata. Eu não tenho solução porque nosso governo não dã valor a vida nem de gente e nem dos animais. Abraço do amigo
sábado, 21 de abril de 2012
Imperdível, aqui em Rio Branco!
Pessoal, taí o convite do lançamento do livro do Terri, "Papol de Índio", o primeiro de uma imensa copilação de escritos que contam, de uma certa perspectiva, digo, de uma fascinante perspectiva, a história do Acre nas últimas décadas. Vale ir, vale adquirir e vale ler. A noite vai ser boa, com música e muita gente bacana pra conversar - não perca!
terça-feira, 17 de abril de 2012
Em busca do petróleo na floresta: começou a corrida!
Reproduzo abaixo email recebido hoje de um amigo seringueiro e pesquisador da floresta (de quem omito o nome para preservá-lo de alguma forma de eventuais perseguições e preconceitos) sobre o início das explosões sísmicas no Alto Juruá em busca de petróleo e gás.
Para entender o que vem a seguir, melhor ler em voz alta. Para os que tiverem mais dificuldade com a língua nativa, "traduzo" (com todas as dificuldades que isso implica) na sequência o texto:
para todo amigo em cruzeiro do sul comesa, o trabalho de uma impresa,GEORADAR, pegando, de porto walte,a é pichuna,combrido , todas esta área de que fica neste tragetos,´ja foi pegado, muito, trabalhador,foi mandado para mata, é até, a gora niguei, do meio abente si manifestou, o projeta da, NP confideração,nacional do pretório vão sai destro da mata fazendo,estrada como picada, é fazendor glande, buraco na mata para desse ,éli-copio,é também, fazendo ,buraco no chão, de 4 metro,de fudura,para coloca esprosivio, depos vem uma é quipim,esprudindo,todo eu estou achando, amigo que vai morre, muito animal, é muito peixe também, pode traze para o acre muita doencia como cáncio é outra coisa também, todo atrais de pretrolho, ou mais dinheiro, para o Governo,eu estou, pessado o que pode acontesse, com muito ,pessoa ,que maro dentro da floresta,a braço para todos amigo
"Para todos amigos, em Cruzeiro do Sul começa o trabalho de uma empresa, GEORADAR, pegando de Porto Walter até Ipixuna, cobrindo toda esta área que fica neste trajeto. Já foi pego muito trabalhador, foi mandado pra mata, e até agora ninguém do meio ambiente se manifestou. O projeto da ANP, confederação [na verdade Agência] nacional do petróleo vai sair dentro da mata fazendo estrada como picada e fazendo grande buraco na mata para descer helicóptero, e também fazendo buraco no chão de 4 metros de fundura para colocar explosivo, depois vem uma equipe explodindo tudo. Eu estou achando, amigo, que vai morrer muito animal e muito peixe também, pode trazer para o Acre muita doença como cancêr e outra coisa também, tudo atrás de petróleo ou mais dinheiro para o Governo. Eu estou pensando o que pode acontecer com muitas pessoas que moram dentro da floresta. Abraço para todos amigos."
Para entender o que vem a seguir, melhor ler em voz alta. Para os que tiverem mais dificuldade com a língua nativa, "traduzo" (com todas as dificuldades que isso implica) na sequência o texto:
para todo amigo em cruzeiro do sul comesa, o trabalho de uma impresa,GEORADAR, pegando, de porto walte,a é pichuna,combrido , todas esta área de que fica neste tragetos,´ja foi pegado, muito, trabalhador,foi mandado para mata, é até, a gora niguei, do meio abente si manifestou, o projeta da, NP confideração,nacional do pretório vão sai destro da mata fazendo,estrada como picada, é fazendor glande, buraco na mata para desse ,éli-copio,é também, fazendo ,buraco no chão, de 4 metro,de fudura,para coloca esprosivio, depos vem uma é quipim,esprudindo,todo eu estou achando, amigo que vai morre, muito animal, é muito peixe também, pode traze para o acre muita doencia como cáncio é outra coisa também, todo atrais de pretrolho, ou mais dinheiro, para o Governo,eu estou, pessado o que pode acontesse, com muito ,pessoa ,que maro dentro da floresta,a braço para todos amigo
"Para todos amigos, em Cruzeiro do Sul começa o trabalho de uma empresa, GEORADAR, pegando de Porto Walter até Ipixuna, cobrindo toda esta área que fica neste trajeto. Já foi pego muito trabalhador, foi mandado pra mata, e até agora ninguém do meio ambiente se manifestou. O projeto da ANP, confederação [na verdade Agência] nacional do petróleo vai sair dentro da mata fazendo estrada como picada e fazendo grande buraco na mata para descer helicóptero, e também fazendo buraco no chão de 4 metros de fundura para colocar explosivo, depois vem uma equipe explodindo tudo. Eu estou achando, amigo, que vai morrer muito animal e muito peixe também, pode trazer para o Acre muita doença como cancêr e outra coisa também, tudo atrás de petróleo ou mais dinheiro para o Governo. Eu estou pensando o que pode acontecer com muitas pessoas que moram dentro da floresta. Abraço para todos amigos."
terça-feira, 20 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Resex Alto Juruá: madeira, gado e vila
Marechal Thaumaturgo, Acre, Brasil, 29
de fevereiro de 2012
Aos responsáveis pelos seguintes
orgãos e demais interessados:
ICMBio
ASAREAJ
Polícia Federal
Prefeitura de Marechal Thaumaturgo
Polícia Civil
Quero aqui denunciar uma situação que
está ocorrendo em nossa comunidade da vila Restauração, alto rio
Tejo, Reserva Extrativista do Alto Juruá. Precisamos de apoio para
encontrar urgentemente uma solução.
O que me motivou a escrever esta carta
é uma grande retirada de madeiras de lei agora acontecendo em vários
pontos aqui na região (Boa Vista, boca do Manteiga, Cachoeira do
Jarana e Restauração) – estima-se em 250 dúzias de tábuas, além
da madeira quadrada. Esta retirada está sendo promovida por um
morador novato aqui na Reserva, pois chegou aqui por volta de 2005.
Trata-se do sr. José dos Santos Farias, conhecido como José
Ripardo.
Este sr., desde que aqui chegou, abriu
uma área de pastagem muito acima do limite permitido pelo Plano de
Utilização (que é de 15 ha, incluindo casa, terreiro, roçados e
área de criação), onde colocou em torno de 60 cabeças de gado.
Desde 2010, ele já vem sendo advertido pelo ICMBio, que proibiu
novas derrubadas. Em novembro de 2011, numa reunião com
representantes do ICMBio de Cruzeiro do Sul (Urbano Lopes, Chico Ginú
e Figueiredo) na vila Restauração, o sr. José Ripardo foi
advertido que não podia plantar capim numa nova área que acabara de
queimar. No dia seguinte a saída da equipe do ICMBio, ele deu
início ao plantio de capim! O sr. José Ripardo também abriu um
comércio na vila e uma serraria, que beneficiou boa parte da madeira
usada nas casas do crédito - moradia do Incra. Este comércio foi
recentemente vendido a um outro comerciante da sede do município
(que atende pelo apelido de “Ceará”), assim também como o gado,
este repassado para outro comerciante, desta vez de Cruzeiro do Sul e
que atende pelo apelido de “Socó”.
Como é possível tanto desafio a
Justiça do nosso país e as leis da Reserva?
No exato momento em que escrevo esta
carta, o sr. José Ripardo deu início as obras de um novo ponto
comercial, de dois pisos, utilizando justamente a madeira retirada de
que falei acima [aí na foto sendo beneficiada na serraria do infrator]. Esta obra, acredito, contém várias
irregularidades, pois está tapando o caminho da escola, deslocando o
trapicho de circulação dos moradores, deverá mexer com a rede
elétrica da vila Restauração e desrespeitar o espaço privado de
outras moradias. Além disso tudo, o sr. José Ripardo tem o costume
de andar armado (revólver calibre 32). Isto intimida o restante dos
moradores que, assim como eu, sentem-se prejudicados pelas ações
deste sr. Pelas leis da Reserva, este tipo de infrator deveria ser expulso da Reserva.
Diante disso tudo, é urgente que as
autoridades responsáveis tomem as providências para impedir esta
obra e as irregularidades de retirada de madeira, abertura de
pastagens e comercialização de terras que vem acontecendo aqui na
Restauração, justamente o local onde começou a luta pela criação
da Reserva.
Francisco das Chagas Bezerra do
Nascimento (Nino)
68 84118437
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Salve Lábrea!
O tema das Reservas Extrativistas parece estar de novo em pauta. Pelo menos é o que parece pela "Carta de Lábrea: o chamado da floresta do sul do Amazonas e norte de Rondônia". Gostei de ler e mais ainda de saber que os moradores de unidades de conservação tais como as Resex estão buscando formas de se fazer ouvir quanto à situação de gestão de seus territórios.
O documento informa que no mês de novembro, na cidade amazonense de Lábrea, ocorreu um encontro entre lideranças comunitárias, muitas delas membros dos Conselhos Deliberativos de 11 unidades de conservação de uso sustentável (Resex, Flonas, RDS e Estações Ecológicas), organizadas estas em 15 associações de moradores. O núcleo central das discussões expressas na Carta diz respeito à "gestão participativa".
Para seus signatários, a gestão participativa ocorre quando todas as decisões relativas as unidades de conservação de uso sustentável (ou seja, aquelas que contemplam legalmente a presença humana em seu interior) são tomadas a partir de uma consulta aos seus moradores. Em toda a Carta este aparece como o argumento irredutível.
"Infelizmente",
avaliam os signatários da Carta, "isso não está funcionando como deveria porque, na maioria das vezes, o ICMBio
decide tudo, atropelando os conselhos, sem levar em consideração a vontade das
comunidades." O orgão gestor das unidades é acusado de "abuso de autoridade, intimidação, desrespeito cultural das populações", marcando sua atuação por ações fiscalizatórias. A lentidão na elaboração dos planos de manejo das unidades, a falta de transparência na prestação de contas e planejamento orçamentário, excesso de burocratização dos procedimentos, falta de recursos para que os conselheiros possam efetivamente realizar o seu trabalho, entre outros, são apontados como problemas relativos a não existência de uma "gestão participativa". Por
outro lado, a Carta não põe só pimenta no olho alheio, como se diz, e
avalia também o que é um bom, ou boa, conselheiro, ou conselheira: aquele, ou aquela, que "dá
bons exemplos para que os comunitários não façam coisas erradas, que é bem
esclarecido(a) nas questões de tomada de decisão, bem participativo(a) nas
reuniões do conselho e em seu setor de trabalho, cumprindo portanto com seu
objetivo de porta voz do povo ribeirinho".
Fiquei "de cara" lendo a carta. De alguma forma ela expressava preocupações que já tinha ouvido de alguns pesquisadores (como eu mesma) logo após a promulgação do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), em 2000: em síntese, eram criadas novas condições para a criação e gestão das unidades de conservação de uso sustentável que ameaçavam a autonomia dos moradores e suas instâncias de representação. O poder mudava de mãos, contrariando o espírito no qual as Resex, por exemplo, foram criadas: fruto da luta dos seringueiros, uma área onde estariam "em casa". E quem manda na sua casa, como se sabe, é o morador. Claro, leis teriam que ser criadas, ou legitimadas, como em geral foi o caso dos Planos de Utilização, que registravam, agora com força de lei oficial, usos e costumes tradicionais. Claro também que tudo isso, para funcionar, supunha uma série de condições. No Alto Juruá tivemos oportunidade de checar tudo isso em ações de pesquisa e extensão ao longo dos anos de 1990, como também observar os efeitos dramáticos da parceria entre associações locais e o poder público (em todas as suas esferas) num contexto de abundância de recursos da cooperação internacional (Projeto Resex).
Claro que associações, orgãos gestores e instituições parceiras não são iguais em toda parte, e não se trata agora de sair crucificando potenciais culpados indistintamente. Não há culpados nem inocentes, mas uma questão - a da gestão desses territórios - a ser enfrentada. E isso tudo me reportou novamente a área que melhor conheço - a Reserva Extrativista do Alto Juruá - e sobre a qual gostaria de contar algumas coisas numa próxima postagem. Esta, por hora, vem saudar Lábrea!
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
SOS Res-Pública
A Universidade Federal de Rondônia, seus alunos, técnicos e professores estão enfrentando uma situação surreal e que não tem conseguido furar a blindagem imposta para que informações sobre o que está acontecendo cheguem a conhecimento público. Como nos disse hoje o professor e antropólogo Estevão Fernandes em visita a capital acreana para assistir a um evento científico, a questão da greve em curso é um assunto interno, universitário, da comunidade com o reitor. O que causa apreensão e insegurança, declarou, são antes denúncias de violação de direitos humanos, de improbidade administrativa e tráfico de influências que tem sido sistematicamente ignoradas, seja pela imprensa, seja por orgãos públicos competentes. Ao que tudo indica, trata-se de uma apropriação e rapinagem da coisa pública por grupos políticos instalados em posições de poder no estado.
Como furar a barreira? O email abaixo, repleto de links que dão suporte ao que está dito, é uma tentativa de fazer isso. Por favor, repassem, divulguem, que sabe encontramos uma brecha. Sempre tem uma brecha.
"Caros amigos e colegas,
Não, este
não é mais um daqueles malditos spams que são enviados para listas
intermináveis. É, sim, um pedido de socorro...
Estamos
nós, antropólogos, tão acostumados a ler ou escrever sobre absurdos na Amazônia
em assuntos relacionados a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos,
camponeses, entre outros, que o conteúdo deste email parecerá, aos que não
estão acostumados com a realidade amazônica, surreal.
No Estado de Rondônia, hoje, alunos estão
sendo ameaçados, professores universitários presos, deputados agredidos pela
polícia federal e jornalistas coagidos por essa mesma polícia.
Vão aí, a título de ilustração, mais dois links com fotos do
estado de nosso campus em Porto Velho (foto 1 e foto 2) e um terceiro link, com um laudo técnico
do corpo de bombeiros tornado público nesta semana:
Em resposta a pauta grevista, a
administração da Universidade disse que as reivindicações por melhorias não
fariam sentido, já que a Universidade, por mais que apresentasse problemas,
estava bem, obrigado.
Aos poucos, o movimento dos alunos se
transformou em um movimento para afastamento da administração atual, por
entender que havia uma série de denúncias (em licitações, obras, recursos,
fundação de apoio, concursos públicos, etc.) que precisavam ser tiradas a
limpo. Ato contínuo, o movimento grevista montou um dossiê de 1.500 páginas
onde essas denúncias eram sistematizadas e foi a Brasilia, encaminha-las ao MEC
e a Casa Civil, da Presidência da República.
Na Casa Civil, com todas as letras,
ouviram de um assessor que uma vez que a administração atual da Universidade
contava com o apoio de um político da executiva nacional do PMDB, base aliada
do Governo Federal no congresso, nada haveria a ser feito.
Há alguns dias a Polícia Federal, em
uma tentativa desastrada (e desastrosa) de descoupação do prédio da Reitoria,
ocupada por alunos da instituição há quase um mês, acabou agredindo um Deputado
Federal que lá estava, tentando negociar (Deputado Mauro Nazif, PSB-RO) e
prendendo um professor, que nada fazia a não ser observar a cena.
Abaixo alguns vídeos mostrando o
momento da prisão do Prof. Valdir Aparecido, do Departamento de História (Campus
de Porto Velho), bem como a agressão ao parlamentar:
Já o link abaixo contém uma foto do
mesmo momento da prisão onde se vê, de branco, ao centro, o prof. Valdir sendo
levado por dois agentes a paisana (um moreno, a esquerda, com uma pistola na
mão e outro, a direita, de camisa vermelha, com um cassetete, que daí a alguns
segundos seria utilizado para agredir o Deputado Nazif, de camisa azul clara,
no alto da imagem, à direita). De laranja, no canto esquerdo da foto, um rapaz
que se identificou como agente da PF, carregando uma câmera subtraída de um dos
professores que teria registrado parte da confusão):
Naquela mesma noite o Prof. Valdir
foi encaminhado a um presídio comum, chamado “Urso Panda”, onde passou a noite
em uma cela.
Alguns dias após o ocorrido, um
jornalista local foi coagido por Policiais Federais, por publicar notícias
apoiando a greve na Universidade.
Esta é, basicamente, a situação por
aqui: agressão, medo, coersão e ameaças, fazendo uso da máquina pública e de
agentes que deveriam proteger a população. O que nos parece, aqui em Porto
Velho, é que tanto essas ações truculentas quanto a conivência do Governo
Federal e a invisibilidade da questão na imprensa nacional se deve, sobretudo,
ao fato de nosso reitor ser aliado político e amigo pessoal de membros da
direção do maior partido da base aliada do Governo Federal.
Longe de mim acusar que quer que
seja. Afinal, é bem possível que todos os implicados nessa história sejam
absolutamente inocentes e/ou tenham agido de boa fé. Entretanto, a única forma
de garantirmos transparência no processo de investigação nos fatos aqui
relatados divulgando esses acontecimentos junto aos nossos contatos em OnGs,
Governo, imprensa e associações científicas.
Há informações atualizadas sobre
esses eventos no site mantido pelo comando de greve da Universidade, do qual, diga-se, não sou parte.
Aos que me conhecem, sabem que não
faço o perfil de politiqueiro ou sindicalista e, mais que isso, jamais
entulharia as caixas postais de vocês se não fosse estritamente necessário, mas
o fato é que meus colegas de Universidade, alunos, jornalistas e simpatizantes
estão, hoje, com medo de morrer. Precisamos de ajuda por aqui, urgente!
Espero contar com a compreensão e
ajuda de todos na divulgação do que tem acontecido por aqui. Qualquer coisa,
sintam-se a vontade para me escrever a qualquer momento.
Um cordial abraço,
Prof. Estêvão Rafael Fernandes
Chefe do Departamento de C. Sociais
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia
(CENHPRE/UNIR)
Porto Velho, RO, Brasil
Assinar:
Postagens (Atom)


