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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dicas de ouro

Quem conhece e quem não conhece o seu Antonio Pedro, vale visitá-lo. Onde? Num blog onde ele está esperando, apresentando o seu trabalho, suas músicas e enverseios. Como está dito lá:

"Este é o 1º registro da obra musical do Sr Antônio Pedro da Silva, que aos 68 anos de idade tem agora a oportunidade de apresentá-la para a humanidade. Após 2 anos de pesquisa, apresentamos este documento sonoro histórico que procura retratar e reviver o panorama da música de raiz dos seringais do interior das florestas do estado do Acre, mais precisamente as regiões do alto Envira e rio Purús, abrangendo os municípios de Feijó, Manuel Urbano, Sena Madureira e Boca do Acre."

Este ano o seu Antonio Pedro e banda lançaram dois CDs, produzidos por meio da Lei de Incentivo a Cultura: "Enverseios" e "Festa no Seringal". Quem ainda não conhece, cuida!!!

Mas aí, se você vai no blog, é apresentado também, se ainda não conhece, ao Alexandre Anselmo, músico de mão cheia, paulistano aterrisado no Acre, já com família aqui, meu compadre com orgulho. Aí a visita já é dupla, pois num outro blog é possível conhecer mais sobre as "arrumações" do Alexandre aqui pelo Acre. Seus trabalhos incluem a "descoberta" do seu Antonio Pedro e coordenação de todo agito que resultou nos dois CDs, bem como em shows e apresentações diversas, muitas delas de cunho comunitário, envolvendo gente de bairros, escolas. Tudo isso está articulado no Projeto Baquemirim, que inclui ainda oficinas de lutheria e de música. Cultura acreana da boa!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Volta na Reserva - final

Nesta postagem final de minha última viagem ao Alto Juruá em 2009, resolvi adotar um viés mais estético e colocar imagens que atraíram o meu olhar, que me deram prazer de ver e registrar, que falaram a minha memória visual e afetiva.

Começo com a macaxeira, cuja farinha não pode faltar na dieta seringueira do Alto Juruá. Esta aí, já "arrancada" e "descascada" estava aguardando ser "lavada" para então ir para o "banco" ser cevada, e virar a "massa" que, depois de "prensada", será "peneirada" e "torrada", virando finalmente a farinha! Farinhadas sempre foram das ocasiões preferidas para mim: a família toda ali trabalhando, o dia inteiro na casa da farinha, refeições, conversas, tirar goma para tapioca. Sim, porque há inúmeros derivados da macaxeira: goma pra tapioca e para fazer farinha de tapioca, que depois dá um mingau supimpa, o tucupi, o biju, o biju na folha, e a farinha, é claro. Incrível as batatas de macaxeira, branquinhas, tiradas de dentro da terra - um milagre como destes que só a natureza é capaz.

Esta senhora aí abaixo é a dona Maria, mora do São João do Breu, na comunidade Morro da Glória, é madrasta do Altemir, que visitamos lá. Quando a vi relembrei que a conhecera em 1991, durante o cadastramento dos moradores da Reserva. Fiquei na varanda da casa dela conversando com ela e o marido até o anoitecer, conversa boa, daquelas de gente idosa que sabe conversar, sabe? Ela me remeteu muito à figura de uma ex-escrava, uma descendente de escravos que ela deve ser, aquela mulher negra ali no meio da floresta, tinha uma beleza ali muito particular.

Bom, aí abaixo é um berçário: um viveiro de mudas de açaí (ou abacaba, não recordo bem), que fica lá na casa do Antonio Caxixa, com quem viajei. Um encanto.

Subindo o Tejo, paramos no Iracema e tomamos um café com biju na casa da Tonha, aí abaixo. Lá vi este armário de dar inveja a qualquer dona de casa! Há outros na Reserva, muitos até, vários estilos. Coloquei este aqui, com a Tonha na foto. Vocês acreditam que ela e o marido estão planejando ir embora para a sede municipal e deixar sua casa e benfeitorias para trás? Tudo por causa de escola para os filhos. Sei lá, ponderei com ela que talvez os filhos pudessem esperar um pouco para cursar o 2o grau e aprender um pouco mais sobre a arte do bom viver.

Em seguida, na localidade Refrigério, encontramos a Eliéte, mulher trabalhadora como só visto! Ela e o marido, o João Belo, estão implantando um sistema agroflorestal (SAF) com muita dedicação e esforço. A Eliéte é especialmente talentosa e disposta - uma força. E ali, no meio do SAF, no meio das macaxeiras, milhos, abacaxis e aguanos encontramos este jardim de flor, que, conta ela, plantou para seu prazer e embelezamento do lugar.

Lá na vila Restauração o Caxixa encontrou com sua filha mais velha. Esta moça bonita aí abaixo é fruto de um namoro que não foi pra frente, foi (bem) criada por um outro pai e agora, nos últimos meses, reatou o contato com seu pai biológico, o Caxixa, aí na foto ao lado dela. Pai e filha, gostei da foto, e de ter compartilhado o encontro com o Caxixa, que estava muito feliz.

Já na hora de ir embora da casa de seu Milton e dona Mariana, me pediram para tirar a foto abaixo: Caxixa, dona Mariana, Hilde (nora de dona Mariana) e Salomão (filho de Hilde e neto de dona Mariana). Achei o máximo a posição que eles, por si próprios, assumiram para a foto: uma escadinha de gente amiga!

E pra finalizar este tour, mais uma foto da índia Kuntanawa Mariana. Ela, soube ontem, já está em Cruzeiro do Sul. Está internada, pois a malária a debilitou muito. Mas está melhor, disseram-me. Vai aqui uma outra homenagem a ela, com saudades e votos de pleno restabelecimento.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Encontro de Cariocas

Na foto (da esq para dir), Julinho Carioca, Alexandre, Enrique, Zé Carlos, dona Lurdes, Chayane (de vestido verde) e Antonio Carlos, meu pai (as pernas à dir são da minha mãe!)
Aconteceu ontem, dia 27, um memorável encontro musical. Foi na casa dos meus compadres Alexandre Anselmo e Leilane, pais do Moisés (abaixo com a mãe), bisneto da dona Veriana, que foi batizado na noite de Natal no Alto Santo.

Comemorar o Moisés, sua chegada e batismo, e inaugurar a casa da dona Veriana e seu Norato, ainda em processo de construção, foram o pretexto sincero para criar a oportunidade de estar junto, comer junto, tocar e cantar juntos.

Na foto: Julinho, Alexandre e Enrique.
Assim, em meio a sacos de cimento, paredes de tijolo não rebocadas, chão ainda sem piso, nos reunimos. Música e boa comida. O menu foi rabada no tucupi e moqueca de peixe, servidos com sucos e refrigerantes. Sorvete de sobremesa e ainda um café pra arrematar.

Na foto: dona Lurdes, Chayane e Antonio Carlos
Os “cariocas” do título referem-se a duas famílias convidadas: a representada por dona Lurdes Carioca, os filhos Julinho, Zé Carlos, Jairo e Jane, a nora Geane e as netas Chayane e Fernanda, e a minha própria, vinda do Rio de Janeiro: pai, mãe e Lucas, meu irmão. Cariocas no sobrenome – recebido quando o sogro de dona Lurdes chegou ao Acre vindo do Ceará – e de residência na Cidade Maravilhosa confraternizaram.

Na foto, Jairo dança com Chayane, sua sobrinha. No pandeiro, Antonio Carlos, ao fundo, Fernanda, filha de Jairo e Geane.
E havia ainda outras presenças ilustres. Parentes do Alexandre, vindos de São Paulo, também estavam lá (seu pai, irmã, tia e sobrinha). Aliás, o momento em que o hino do Coríntias foi entoado (depois do do Flamengo) foi da maior animação. Pois é, até hinos de futebol fizeram parte do repertório!

Na foto: Lucas, Kátia e Julinho.
Amigos e parentes apareciam a toda hora: a Kátia, o Fábio, o Enrique, e outros e outras mais. Não houve propriamente um convite para os presentes. A música convidava: quem passava e ouvia, ia lá dar uma espiada. Se se agradava, ficava e participava. Sob a batuta do nosso maestro Julinho Carioca – numa performance inesquecível – sambas do arco da velha foram tirados do baú e executados com alegria e animação, e competência, pois a banda era boa mesmo.

Na foto, dona Veriana fazendo a alegria do salão!
Os instrumentos – violão, viola, cavaquinho, tamborim, pandeiro, instrumentos de percussão e até um trompete – rodavam nas mãos dos músicos, que também mudavam de lugar, e a sala parecia estar em movimento. Muita risada pelas lembranças de sambas que todos já haviam esquecido!
Na foto: Lucas, eu e Chayane.
Coisa boa é estar entre amigos. Numa roda de samba, e amizade. Como disse o Julinho ao se despedir: “hoje eu vou dormir bem, com a alma lavada”.

domingo, 8 de março de 2009

Língua

Os escritos acima são de Guimarães Rosa, estão no "Grande Sertão. Veredas". Estas e outras pérolas do nosso português escrito, falado, cantado, vivido, enfim, estão no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo - imperdível!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cambitos e Garranchos

Este é o nome da iniciativa de fabricação artesanal de móveis rústicos por Saturnino Brito, amigo já de algum tempo e morador da Fortaleza, no Município de Capixaba. A Fortaleza é onde vive seu Luiz Mendes e vários de seus familiares e agregados. Uma comunidade reunida em torno da liderança do patriarca e do Santo Daime. A Fortaleza, que fica dentro de um desses clássicos Projetos de Assentamento do Incra quase que inteiramente desmatado para criação de gado, abriga um Parque Ecológico criado pelos próprios moradores com cerca de 40 hectares. Lá, é proibido caçar e qualquer tipo de exploração predatória. Alguns salões naturais foram instituídos como local de meditação, passeio e cerimônias com o Santo Daime.

Na Forteleza, Saturnino, filho de seu Luiz, resolveu fabricar móveis a partir do seguinte conceito: aquilo que está desprezado na floresta será a matéria-prima com a qual trabalharei. Foi assim que árvores naturalmente derrubadas pelo vento e não-aproveitadas, madeiras parcialmente aproveitadas devido a brocas, raízes que também ameaçavam se perder foram todas transformadas em cadeiras, mesas, bancos, camas, sofás. Estudando cada forma que encontrava nos restos ou pedaços de árvores e raízes recolhidas, explorando suas singularidades, trabalhando duro e com dedicação, Saturnino chegou a um primeiro conjunto de móveis. Com apoio de amigos e parceiros, os móveis foram transportados para Rio Branco para serem expostos numa feira de artesanato e comidas típicas que se encerrou no último domingo no centro da capital acreana.

Estive lá neste último dia de exposição para conhecer o trabalho de Saturnino, e lamentei não ter avisado outros amigos que certamente teriam sabido apreciar a iniciativa – e quem sabe se animado a adquirir uma das peças. Encontrei com o Altino lá, aí na foto experimentando um dos sofás da coleção. Não resisti e saí de lá com uma mesinha de centro e uma cadeira, esta última comprada depois que sentei e vi o quanto era confortável. Madeira é realmente um material fascinante e muito confortável: sua dureza é de outra natureza. As peças lá expostas, todas de madeira reaproveitada como disse, incluíam cedro, cerejeira, quariquara e outras parentas notáveis.

No dia seguinte, Saturnino veio em casa entregar os móveis, e me deu a boa notícia: foi tudo vendido. Bom começo. Quem quiser conhecer o trabalho, aguarde um pouco que novos móveis serão ainda produzidos. Não há data já definida para a próxima exposição, mas quando souber, com certeza aviso. De toda forma, se alguém quiser mais informações pode encontrar Saturnino na Fortaleza, trabalhando duro tanto no roçado, no incremento da estrutura do lugar, que sempre recebe muitos visitantes, nos trabalhos espirituais e, agora, também na oficina da Cambitos e Garranchos!

domingo, 31 de agosto de 2008

Chez Monet et chez moi

Domingo fizemos um bonito passeio. A chuva que abriu o dia não sustentou-se, e o sol dominou o céu - para nosso alívio e contentamento. Saímos cedo de casa em direção a Giverny, onde Claude Monet, no início do século XX, já um artista reconhecido, recolheu-se para viver e trabalhar. Fomos, portanto, à casa de Monet, com seus jardins, ninféias e atelier.

Não há muito o que dizer, a não ser que vale à pena conhecer. Há flores de tudo quanto é tipo e cores, e o jardin aquático é uma beleza, com pontes, chorões e ninféias. Saíram desses recantos a inspiração para as famosas e gigantescas telas de Monet. Vi delas no Musée Orangerie (já falei disso numa outra postagem) e no Musée Marmottan (que acho que comentei, não sei). De toda forma, são lindas e imperdíveis. Em Giverny está a fonte inspiradora, na tela o artista inspirado; ou, como nas fotos (retratos) de Richard Avedon que vi numa exposição aqui, o resultado artístico é aquilo que ocorre entre o pintor-fotógrafo e a paisagem-pessoa. [Avedon diz sobre os retratos de pessoas que fez aos montes sobre um fundo neutro: o retrato não é uma representação da pessoa (ou da realidade), mas antes o que subjetivamente ocorre, naquele momento mágico do "click", entre o fotografado e o fotógrafo. Talvez dê pra pensar assim também sobre Monet-ninféias, embora, não sei, talvez no caso da pintura a habilidade, o talento, o estilo do pintor tenham um outro tipo de presença que a de um fotógrafo]

Fazendo uma ponte entre esses universos (interiores e exteriores), ando eu mesma com uns pensamentos ainda não sistematizados, mas que têm a ver com minha visão sobre o mundo, sobre a Amazônia e sobre mim mesma. Hum, ficou meio complexo. De toda forma, pra começar com algumas imprecisões e deixá-las no ar, diria que esta viagem está me dando uma "dimensão de mundo" inesperada. No Acre, onde vivo, o mundo tem uma dimensão. Aqui, em Paris, onde estou temporariamente, tem outra.

As fronteiras do universo acreano, por exemplo, seriam as dadas pelas nossas discussões e idéias, pelo que nos toca, nos diz respeito e mobiliza - como o destino da floresta. Para mim, por exemplo, esta tem sido uma questão central nos últimos tempos e que mobiliza minhas emoções, forças e idéias; informa meu comportamento e valores, aquilo que importa, aquilo em que acredito, aquilo que devo e quero fazer. Mas para os franceses é diferente. Bom, é uma obviedade, pois para eles só poderia ser diferente. Quero, contudo, dizer que senti o choque da diferença. Toda a questão ambiental, digamos assim, se colocaria aqui noutros termos, ou de outra forma, dentro de um outro padrão de comportamento. O consumo seria um bom exemplo.
Fiquei abismada com a quantidade de embalagens que se leva para casa quando se vai a um supermercado - e, claro, com a quantidade de lixo que isso gera. Isto quer dizer que os franceses, ou mesmo os europeus, não estão nem aí para a Amazônia ou a conservação de ambientes naturais? Não, não quer dizer isto. Eles estão aí pra Amazônia sim, só que de uma outra forma, com outras visões e soluções para conter a destruição da floresta. Eles têm uma longa história de construção do que são hoje e de como vivem - e isso não é algo que se largue ou se troque facilmente. Toda a visão sobre a Amazônia vai quase inevitavelmente passar por este filtro; talvez nem mesmo haja uma "visão sobre a Amazônia". O nosso filtro é diferente. Como incorporar o fato de que a Amazônia não é só uma só, a nossa [e este "nossa", sei, não é unânime, mas é "nossa" esta falta de unanimidade]? Que ela é percebida de diferentes maneiras, a partir de diferentes e ativos pontos de vista?
Talvez eu esteja sendo por demais etnocêntrica, ou acreocêntrica, ou marianocêntrica. Talvez, bem possível. Mas talvez se trate de outra coisa: uma certa crise pessoal, uma desesperança ou incerteza sobre o que fazer.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Van Gogh e um pouquinho de Amsterdam

Ontem foi dia de passeio em Amsterdam. Um dia apenas, uma pena. Mas vamos ver o que dá pra fazer, convidou-me a Hilly. Ora, o Van Gogh Museum já estava no programa desde antes de sair de Paris. Quando fui ao Dorsay já ficara encantada com as telas que vi lá, as cores, as pinceladas, enchem o coração. [Aliás, acho que vou de novo ao Dorsay antes de ir embora de Paris para o Brasil]

O Van Gogh Museum tem o maior acervo de obras de Vincent Van Gogh no mundo, e uma coleção permanente belíssima (não pude fotografar, então o quadro acima é do acervo do Dorsay). O museu estava cheíssimo. Nesses últimos dias tinha esquecido que estamos em plena alta estação e que há turistas para todo lado; fiquei mais com minhas amigas, no curso de florais, na casa da Hilly. Pois bem, foi aquela coisa de ver os quadros em fila, andando devagar e com gente por todo lado. Bem diferente quando o entorno está menos povoado e você pode andar pra lá e pra cá, olhar de perto e de longe. Mas, enfim, tudo por Van Gogh!

Os quadros são lindos, lindos. Há coisas inacreditáveis, nem sei como descrever arte, já que não sou entendida, e ficar falando "lindo, lindo" não dá muito idéia. Digo apenas que é uma emoção. Ver as pinceladas características de Van Gogh, a mistura de cores, o brilho, a força das imagens. Poxa, adorei ter ido lá, e voltaria (voltarei quem sabe um dia) a ver a exposição feliz da vida.

A vida de Van Gogh é dramática. Toda a sua obra ele realizou em apenas 10 anos, dos 27 aos 37 anos, quando então se suicidou. Pois é. Pelo que pude entender, ele devia ser uma pessoa com fortes distúrbios psíquicos, ia da euforia à depressão. Durante os dez anos em que pintou e desenhou sem parar, não obteve o reconhecimento da crítica e do público. Vivia duro e seu irmão, Theo, que trabalhava no mercado de artes, o mantinha financeiramente. Isto, parece, era um peso para Van Gogh, esta dependência. Vicent, antes de morrer, passou por sanatórios e tratamentos. Por outro lado, fiquei pensando, é muito louco, pois é como se ao invés de uma pessoa - Vincent - tivéssemos duas - Vincent e Theo. Theo acolheu e sustentou o irmão, eram profundamente próximos e amigos, amantes e colecionadores de arte e, olha que louco, menos de um ano depois da morte de Vincent (1890), Theo morreu (1891). Vincent com 37 anos, Theo com 33 anos. Eram almas inseparavalmente ligadas. Depois da morte de Vincent, sua cunhada e depois viúva de Theo, Jo, dedicou-se a divulgar a obra do cunhado. Foi ela que organizou as cartas trocadas entre os irmãos e que foram depois publicadas. Vincent escrevia muito.

Enfim, saímos do museu espiritualmente nutridas e fomos alimentar a matéria gulosa com sanduíches, tortas, café e um suco de morango inacreditável. Morango, aqui na Europa, tem aquele gosto legítimo de morango! Sorvete de morango aqui não é que nem aquela coisa leitosa e aromatizada de morango que a Kibon e outros fazem. Vou sentir saudades dos morangos... Passeamos então por Amsterdam, por um pedacinho da cidade. Vejam esta foto abaixo e comprovem o que eu disse sobre todo mundo ter bicicleta. Isso é perto da estação central: um estacionamento de bicicletas onde seus donos as deixam e pegam o trem para trabalhar. Reparem que há bicicletas no primeiro plano, depois mais atrás e depois em cima, num "segundo andar". É verdade, estou obcecada com este assunto das bicicletas! Em Amsterdam há ainda os famosos e simpáticos canais, mas não deu tempo de passear neles, de barco. Pra finalizar o dia, antes de voltarmos para Den Haag, pude ainda provar tamaras frescas - uma delícia.

Agora, já estou de volta a Paris.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Boa companhia

Ontem passei parte do dia numa muito boa companhia.

Fala sério, esta turma não é muito alto astral???

Fiquei com vontade de tê-los todos como meus amigos (e a verdade é que é uma amizade interior, então sem empecilhos externos), conviver com eles até sentir esta paz interior que possuem.

E tem uns e umas que são animados, dançam e se divertem com alegria...

Ah, o budismo...

Encontrei esta turma quando fui visitar o Guimet - musée national des arts asiatiques, perto do Trocadéro. É um museu cujo mentor foi Émile Guimet, um rico homem apreciador e fã da arte existente no vasto continente asiático. São cinco andares a percorrer, contando com o térreo. Fiquei nos dois primeiros, não deu tempo e também é muita coisa, gente! Fiquei bastante tempo no primeiro andar, onde está o sudeste asiático (Cambodja, Vietnam, Tailândia, Myanmar e Idonésia) e a Índia. Foi lá que tirei estas fotos, desses budas. Incrível a presença budista na Ásia, e conforme o país há mudanças na representação, nas vestimentas, mesmo na carinha do Buda. Mas há muita influência mútua também.

Mais duas coisas: uma é que olhando aquilo tudo a gente fica pensando que os colonizadores andavam pelos países-colonias rapinando muita coisa. Missões, expedições, doações, são estas as fontes do acervo do museu (que está todo identificado). Mas como era esta missão? Arqueológica, várias delas. Mas aí o que escavava trazia para o país do arqueólogo? Sei lá, deve ser algo assim. Claro que a gente vê lá e está super bem apresentado e zelado. Mas impacta, pois também está fora de contexto e muito longe de casa.

Por outro lado, as obras de arte mudam de lugar, e lá as peças estão expostas como arte - uma arte de cunho profundamente religioso. Fiquei lembrando do Quai Brainly, que já comentei aqui, onde o estatuto de "arte" para as peças não está claro. Mas, no caso da arte, há um mercado. Os quadros do Picasso, por exemplo, que estão nos Estados Unidos foram adquiridos, comprados, ou doados. E as peças que estão no Guimet, por exemplo? As artes não são todas iguais, ou não tem os mesmos estatutos artísticos, ou algumas são mais artes que outras, ou o quê(s)?

Enfim, pra finalizar a conversa conto que passei um tempo também na parte do Tibet, no andar de cima (que tem também o Paquistão, Afganistão, Nepal, China). Bom, pra quem não sabe o Dalai Lama está visitando a França. Tenho muita admiração por ele, fiquei lendo umas notícias no jornal, olhei no mapa os cantos onde ele está andando. Aí quando vi as coisas do Tibet fiquei um tempo apreciando e imaginando que seria muito legal se o Dalai Lama aparecesse ali para visitar o museu, já pensou? Esssas coisas que passam pela cabeça da gente. Aí foi engraçado que numa hora em que eu estava olhando uma pintura grande na qual estão ilustradas passagens importantes da vida do Buda, olhei para o lado e, nossa, que susto! Tinha um monge vestido como o Dalai Lama, aqueles panos vermelhos, laranjas, cabelo bem curto e óculos. Por um átimo de segundo passou pela minha cabeça "será?".

domingo, 10 de agosto de 2008

Ou isto ou aquilo

Cecília Meireles (com foto d'O Pensador, de Rodin)

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.

* * *
Pós-escrito por mim mesma:

Ou passeio ou estudo
ou acordo cedo ou durmo mais um pouco

Ou corro ou ando devagar
ou relaxo ou tensiono

Realmente, sempre há escolhas
Mas, feita a escolha, chega de pensar

O melhor é o que se escolhe!

sábado, 9 de agosto de 2008

Viva o aniversariante!

Estêvão, mon cher,

Hoje é você quem aniversaria. Parabéns pela chegada aos 40, onde, dizem, e com razão, que a vida começa, ou melhor, uma outra e significativa fase tem início. Entre outras delícias, nossa maturidade é posta à prova, vejo hoje. Tenho certeza que você está feliz com a data e a meta atingida, e olhando para o futuro com esperança, como sempre devemos estar. Sinto só estarmos tão pouco perto um do outro, digo fisicamente mesmo, na convivência. Veja só hoje: você aí, no Rio, e eu aqui, em Paris; nos últimos tempos tem sido no Acre. Ainda teremos este tempo - o da convivência mais estreita.

Enquanto isso, festejo aqui de longe com você sua data natalícia, e te conto um pouco o meu dia. Um singelo presente meu pra você.

Pela manhã, digo, já meio-dia pra tarde, acabei passando pelo Arch de Triomphe, e dali desci um pouco pela avenida Champs-Elysée. Bom, na verdade fui parar ali por acaso, e só por este acaso é que acho que fui parar ali. Quer dizer, não me passava pela cabeça ir passear nesta avenida, embora ela seja tão famosa. Estava cheia de gente, de lojas de griffe e também de contrastes (que comento em data menos especial).
Depois, passeei pelos canais parisienses, mais especificamente pelo San Martin e a Bassin de la Villette. Os dois tem seus cais, e no segundo fui pelo lado que se chama Promenade Signoret Montande. É a praia de Paris! Cheia de atrativos, inclusive uma areia meio pedregosinha numa parte do caminho, onde tem cadeiras espreguiçadeiras com listras coloridas, mesinhas e cadeiras de metal coloridas, uma espécie de chuveiro que solta vapor d'água (parece uma maresia de água doce e fresquinha) para quem quiser se refrescar, brinquedos para criança, lugares para comer e por aí vai. Muito legal, muito mesmo, esses equipamentos públicos de lazer, que todo mundo usa, sem precisar levar o seu de casa. Já imaginou ir para o Jardin du Luxembourg com a sua cadeira de baixo do braço?
Cheguei num tablado destinado a dançar: lá estava um senhor com um instrumento musical de mil novecentos e antigamente, uma pianola, digamos, daquelas nas quais você enfia a partitura que está codificada em folhas de papel furadas, e aí gira uma manivela e o som sai. Muito legal. Lembrou-me de cara o som do realejo, só que mais sofisticado (tocava até "La vie en rose"). Fiquei ali um tempo, lanchando e curtindo as pessoas cantando e dançando em volta.

Ao final do dia fui ao Musée du Quai Brainly, lembra, que você me falou. Um museu novo, para quem não sabe, inaugurado em 2006. O prédio é todo modernoso e o jardim, achei engraçado, parece um "matagal". Explico-me: há espécies diversas, mas entre elas uma espécie de mato. Você lembra daqueles terrenos baldios da Ilha do Governador, daquele mato que tinha? Pois é, achei parecido. Dá só uma olhada:

O Quai Brainly ("là où dialoguent les cultures") é um museu etnográfico com uma coleção permanente IMENSA. Visitei só um pedacinho, o destinado a sociedades da Oceania. Bom, vou falar um pouco do museu. Não tem mais foto porque lá dentro não pode fotografar. Ele tem uma divisão preliminar por grandes regiões do mundo: Oceania, África, América e Ásia. Aí, nestas grandes regiões, tem ainda um critério geográfico operando, ou seja, cada uma destas grandes regiões, no caso a Oceania (que visitei), é subdividida em regiões menores (mas grandes ainda), como a Nova Guiné, a Autrália, a Nova Zelândia, as Ilhas Marquesas etc. Combinado a esta subdivisão regional, vem uma que é temática. No caso da Oceania: objetos ornamentais e rituais (de iniciação, funerários, mágicos), adereços e jóias, máscaras, instrumentos (musicais, de trabalho, domésticos), motivos de pinturas corporais, entre outros.
Minhas primeiras impressões são duas. A primeira de que a divisão, o critério de exposição das peças, é passível de discussão. Por exemplo: eles pegam o leste da Nova Guiné e o tema dos ritos funerários, aí põem num mesmo espaço de exposição objetos utilizados em algumas das sociedades naquela região viventes. Aproxima-se coisas pela finalidade dos objetos, um pequeno texto tenta construir uma unidade também pelo significado, mas, não sei, a onde se quer chegar com este tipo de classificação? Em antropologia tudo isso dá pano para manga. Claro que alguma unidade regional é possível ser encontrada, afinal aquelas sociedades são vizinhas e trocam há muito, mas dá uma certa aflição ver aquela peça tirada do seu contexto societário e aproximada de outras igualmente "descontextualizadas" porque servem a mesma função.
Esta observação levou-me a segunda: chegou uma hora que simplesmente parei de ficar lendo aqueles textinhos e me detive nas peças mesmo; parei de ficar tentando compreender algo que não ia encontrar ali, de ficar aflita com aquela reunião de coisas "diferentes", e me deixei envolver pelas peças, pela sua beleza. São MARAVILHOSAS! Como será que esta coleção de objetos foi reunida? Coisa incrível. São esculturas gigantescas e belas, peças artesanais finíssimas, só vendo. Cada vez ficava mais deslumbrada, e aí me peguei dizendo "esses caras são uns artistas". Isso! Comecei a ver a exposição como de obras de arte. Aí fiquei me perguntando sobre as relações que existem entre o que é chamado de "arte", "artesanato", "objetos rituais". Há uma estética ali operando, isto é fora de dúvida, e houve artistas-artesãos profissionais que trabalharam naquelas peças. O que distingue o artefato, o artesanato, da obra de arte? Não será o Quai du Brainly também um museu de arte, e não tanto de objetos que servem para isso ou aquilo? Não será a arte o espaço de diálogo das culturas?
Fiquei pensando nisso tudo. Vou voltar lá. Quem sabe quando ver a parte da América do Sul, que me é mais familiar, possa entender melhor a proposta do museu e ter novas idéias sobre, afinal, o que é ou não arte. O que você acha?
Beijos, fica com Deus, e boas comemorações, Mariana
PS: desculpa aí, que este editor do blog não está aceitando os parágrafos que eu fiz no texto original e tá colocando tudo emendado...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Je suis fatiguée

Nossa, hoje eu estou cansada. Queria que já fosse sexta-feira. Pois é... Sabe o que é? O curso de francês começou: todo dia das 8 da manhã às duas da tarde, com uma hora de intervalo para um café ou um lanche. São quatro horas de gramática e afins, e uma hora de fonética (pronúncia). São boas as aulas, estou gostando. O negócio é que é todo dia, e "moro em Jaçanã" (favor pronunciar com sotaque francês!), saio de casa às 7 horas, acordo entre 5:30 e 6 horas - é que preciso de tempo de manhã, acordar e sair correndo não é comigo. Saio da aula e costumo ficar por Paris, ali pelo centro, Jardin du Luxembourg e proximidades, dando um tempo para almoçar, descansar e aí dar uma volta, conhecer algo. Acabo chegando em casa tipo 7 horas da noite, que aqui ainda é totalmente dia. Isso é muito louco, pois com o céu claro a última coisa que você pensa é em jantar e ir dormir! Resultado, começo a achar que é hora de dormir mais de 10 horas da noite, acabo deitando mais de 11, e durmo menos do que gostaria. Acumula isso na semana, dá o maior cansaço...

Esses dias fiquei pensando: pô, mas eu estou de férias! Tem alguma coisa errada, ou meio fora do lugar. Ainda não sei o que é. Este compromisso matinal infalível tá puxado. Mas, depois que eu chego, eu gosto, a aula é boa, eu gosto de estudar francês, é interessante, aquela coisa diferente, meio difícil, mas meio familiar, tem muita semelhança com o português. E é uma língua bonita. As duas professoras são boas profissionais, e os colegas de classe vou conhecendo aos poucos. Aí estamos nós (na foto acima), ou parte de nós, num café perto do local do curso, na hora do intervalo. Da esquerda para a direita estão representados o México, a Colômbia, o Brasil e a Jordânia.

Acho que vou ter que arrumar uma forma de conciliar as aulas, o horário solar francês, o meu ritmo biológico e as minhas férias - que estas eu não vou deixar em segundo plano! Hoje, por exemplo, aqui, agora, são quase 11 e meia da noite, cheguei tem uma hora da rua. E nem jantei ainda (e não vou jantar, a esta hora não dá). O negócio é que hoje eu saí do curso e resolvi ir estudar na biblioteca do Beaubourg (Centre Georges Pompidou), mas resolvi, antes, conhecer a coleção de arte moderna que tem no museu de lá, nos últimos andares, de onde tirei a foto a seguir.Fiquei horas no museu... E nem vi tudo, acho que visitei um terço. Nossa, muita coisa bonita e diversa. Lindo mesmo. Merece ser visitado. Vejam este Matisse abaixo, ao vivo é emocionante! Acaba que a gente fica até zonza.
Saí da exposição meio sem nem saber direito onde ir. Resolvi conhecer o último andar, seguindo mesmo um povo que estava indo neste rumo, peguei carona na corrente, digamos. Resultado: deparei-me com uma super-exposição chamada "Traces du Sacré", imensa e fascinante. Uma overdose de arte! Havia obras de Picasso, Matisse, Kupe, Klee, Kandinsky, Bill Viola, Nijinski (que desenhava!), Grodowski (filmagem de uma dramaturgia), Rudolf Steiner (escultura e desenho), Braque, Pollock, Artaud, Ginsberg, Victor Hugo, Munch e outros artistas. Uma diversidade de alto nível reunida, exposição bem montada, cheia de referências literárias interessantes - tudo conectado pela linha do sagrado, da constituição da arte moderna e do pensar do homem [mais o ocidental, embora havia outras referências também] sobre si mesmo, sua civilização e (não) relação com o transcendente. Queria ir embora e não conseguia. Não tirei nem foto, fiquei lá viajando.
Enfim, quando fui ver já eram mais de 9 horas da noite, lá fora uma turma de gente fazia uma manifestação pró-Tibet (o Dalai Lama está para chegar na França) e eu peguei foi o rumo de casa. Meus pés doendo de tanto que fiquei em pé. O que me salvou foram castanhas e frutas secas, que sempre levo comigo. Tô indo dormir agora, quase meia-noite. Acho que amanhã essa aula de francês vai dançar...

domingo, 3 de agosto de 2008

Dia impressionante

Primeiro, do Musée D'Orsay, onde fui atrás do quinto andar para ver obras daqueles que ficaram associados ao "movimento impressionista". Gente como Monet, Cézanne, Renoir, Pissaro, e mesmo van Gogh (que adoro!).

A fila estava grande, tanto porque hoje é domingo quanto porque no primeiro domingo de cada mês a entrada é gratuita em todos os museus parisienes. Mas deu de entrar e também de exercitar a concentração pois as salas estavam mesmo lotadas de gente.

Depois de umas quase quatro horas ali delirando e mirando com tudo aquilo, atravessei o Sena, caí no Jardin de Tuileries e fui pra outra fila, a do Musée Orangerie, onde estão telas gigantescas do Monet, as conhecidas "Nymphéas", obras já da maturidade do pintor - fascinantes.

No andar de baixo tem a maravilhosa coleção de um marchand chamado Paul Guillaume (morto em 1930), e lá estão os impressionistas de novo. O máximo, este museu é muito lindo, imperdível. Você só fica em boa companhia, com a vantagem que ele é menor do que o D'Orsay, aí fica mais íntima a relação com os quadros, sei lá. Sei que gostei demais deste espaço. E que também voltarei ao D' Orsay porque ficou muita coisa pra ver. Tem uma coisa legal aqui que são dias em que os museus ficam abertos até umas 22 horas, e costuma ser mais vazio neste final de expediente. Vou tentar.

Depois deste dia emocionante, deu fome. Fui então em busca da rue Montorgueil, que é cheia de lugares para comer, rua de pedestre, já no rumo do Marais, um bairro cult que ainda não fui visitar. Da onde eu estava dava até pra ir a pé, mas resolvi tornar o dia mais emocionante do que já estava e arrisquei-me de bicicleta por Paris. Pena que não tenho foto! Por toda cidade existe há algum tempo um sistema de transporte público de bicicletas - o Velib. São pontos cheios de "vélo" (bicicletas) com um sistema eletrônico que você paga e pega a sua bicicleta e vai até onde você quer, aí deixa a vélo num outro ponto. É que nem ponto de ônibus, tem por toda cidade: você tanto pega quanto deixa a vélo, que é propriedade pública - a prefeitura faz inclusive a manutenção. Pois bem, ainda não tinha experimentado, e hoje experimentei! Pedalei e, claro, me perdi... mas logo me achei e cheguei na rua que eu procurava. Deixei a bicicleta num ponto próprio e fui atrás de um lugar para comer. Acabei parando num restaurante libanês.

Já estava passando mal de fome, depois de tantas emoções impressionantes e ciclísticas. A sorte era que o dono do restaurante, um libanês, falava um pouco de inglês, que somado ao meu francês macarrônico permitiu a comunicação. Até cerveja libanesa deu de tomar! E vive la France!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Visitando o Mestre Rodin

Fui hoje ao Museu Rodin, programa obrigatório para quem vem a Paris.

Auguste Rodin (1840-1917) foi um importante e famoso artista francês do final do século XIX e início do XX; foi contemporâneo de pessoas como Van Gogh, Renoir, Monet. A casa acima não foi propriamente a morada dele, e sim principalmente seu atelier, e que pouco antes de sua morte foi transformado num museu para abrigar sua obra. É uma bela construção, por dentro bastante simples até. Dentro e fora da edificação, as esculturas (em bronze e mármore principalmente) estão dispostas. As mais grandiosas, de bronze, estão ao ar livre, onde as flores - rosas em especial - rivalizam com elas [as esculturas] quem é mais bela. Vejam "O Pensador" abaixo.

Esta a seguir tem o nome de "A Sombra" e, como várias outras, é parte da "Porta do Inferno", uma obra que Rodin ficou anos e anos fazendo e que, ao morrer, não estava fundida em bronze, e sim modelada em mármore e com várias indicações de como deveria ser terminada. E assim foi feito.

É impressionante a Porta (foto abaixo), embora não tenha conseguido tirar nenhuma foto muito boa por causa da luz do sol. Mas vejam, até "O Pensador" está nela, no alto, abaixo das "Três Sombras", que também têm uma existência independente da Porta, como pode ser visto na segunda foto abaixo, em que as "Três Sombras" está cercada de visitantes, o que dá o clima do lugar e a dimensão das esculturas.


Esta outra aí abaixo é uma homenagem a Victor Hugo, de quem Rodin era totalmente fã. Chama-se "Homenagem a Victor Hugo". Segundo o que me foi informado, Rodin colocou o poeta e escritor numa posição imponente, como que parando as ondas do mar para melhor ouvir sua voz interior. Às suas costas, "A Meditação", que aparece em outros momentos da obra de Rodin, e atrás dele [de Victor Hugo], a tragédia, inspirando-o. É muito linda a escultura.

Dentro do Museu tem outras coisas lindas, como o beijo, escultura famosíssima e de grande sensibilidade. Aliás, há várias esculturas em mármore que envolvem casais, homens e mulheres.

Coloco para terminar uma escultura que não anotei o nome mas é incrível, pois o mármore está transparente, reparem, dá para ver a luz do sol do outro lado.

Pra mim resta inexplicável como esses escultores faziam coisas tão delicadas em materiais tão brutos e duros, como o mármore e o bronze. Tem um filme, que gostaria de rever, chamado "Camille Claudel", com o Gerard Depardieu no papel de Rodin e a Isabelle Adjani no de Camile. Camile foi uma assistente, discípula e amante de Rodin. O filme conta isso e outras coisas, mas é dramático, porque depois os dois romperam e Camille não teve um bom destino, me parece. De todo jeito, no museu tem uma sala com obras dela, que são belíssimas. Tem algumas delas, acho que duas, em que ela usa aquele mármore verde junto com bronze, nossa, dá um efeito sublime... Mais um bom motivo para conhecer o museu do Mestre Rodin.