É assim, meio perplexa e também revoltada, que vivo e assisto a situação da xerox no curso de Ciências Sociais da UFAC. Hoje fui dar aula e voltei para casa sem cumprir minha tarefa: os alunos alegam que a xerox está (de novo!!!) quebrada e ninguém tinha cópia do texto. Dando um desconto para a malandragem estudantil, que rola mesmo, este semestre o não funcionamento das máquinas fotocopiadoras no curso está sendo a regra, e não a excessão. Isto chama atenção. Desde que comecei a dar aulas na UFAC, em dezembro de 2005, tirar xerox sempre envolveu uma certa incerteza, mas não uma impossibilidade. Mas este ano a coisa se superou, como se diz. A regra é: a xerox não está funcionando. Hoje mesmo assisti a máquina "dar pau" na minha frente.
O não-funcionamento das máquinas fotocopiadoras é um inferno para um curso assentado sobre cópias de capítulos, pedaços de texto, artigos - e não sobre livros como um todo. Os motivos para esta realidade são vários e não exclusivos da UFAC, mas um deles é, acredito, a qualidade do acervo da biblioteca, pobre, com poucos volumes e desatualizado. Não daria para dizer aos alunos: vão na biblioteca que vocês encontram o livro. Isto, pelo menos na minha área, é raro. Por outro lado, exigir que os alunos comprem os livros indicados é viagem total. Tenho alunos com dificuldades em tirar xerox, quanto mais adquirir um livro. Esta é a realidade do curso. Ou seja, a xerox precisa funcionar - é básico!
E por que não funciona? O que passa afinal? Será só no nosso curso que não funciona? E nos demais, como é? Sei que em caso de pane na xerox, o jeito é ir tirar cópia lá na "xerox da biblioteca", que tem sempre máquinas funcionando. Mas, interessante, o "dono" daquela xerox é o mesmo (ou mesma) da que (não) funciona lá no meu curso. E me disseram, não sei se é verdade, que a mesma pessoa controlaria todas as xerox da UFAC. Será? Uma só pessoa (física ou jurídica) ganhou a licitação da universidade inteira? Este é um bom tema para investigação: o que estabeleceu esta licitação em termos de qualidade do serviço e também dos preços a serem cobrados? O que o contrato diz sobre condições nas quais o contrato pode ser rompido?
Temas espinhosos, quem se arrisca em ir atrás? Alguém já foi?. Se foi, o que encontrou?
segunda-feira, 18 de maio de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Santa Semana!
Semana Santa passou e tive o prazer de ter comigo só gente querida. São dias densos estes da Semana, costumam ser, e continuaram sendo. Mas talvez atenuados por estar eu com o coração cheio de alegria pelas presenças, além do Zé Carlos, de meus meus pais - Maria e Antonio - e Guadelupe, antiga amiga da família radicada no México. Vieram todos os três passar a Semana aqui, visitar a casa depois da obra do quarto e mesmo conhecer o Acre, como foi para a Guadelupe, que na verdade pisou pela primeira vez na Amazônia, logo aqui, em Rio Branco, vejam só.
Era muita coisa pra ver, saudades para matar - e pouco tempo. Então, elegemos. Os dois primeiros dias foram dedicados a visitar exposições: a do Palácio e da Biblioteca da Floresta. Incluímos uma ida ao Mercado Velho novo, passeio na passarela, ver o rio. Rolou ainda um almoço no Mata Virgem, que serve galinha caipira, coisa que meu pai, tal qual mulher parida, estava desejando! Estava gostoso mesmo. Ficamos também em casa, pois foram dias de MUITA chuva, só vendo... Chuvas amazônicas. Pra quem não conhecia, até isso foi turismo: ver e ouvir a chuva.
Na Sexta-Feira Santa nos organizamos para um almoço. Convidamos amigos e fizemos um bom de um bacalhau, pilotado por mim e meus pais, acima montando os pratos antes de levar ao forno. Vieram a Chayane, o Allan, a Bia, o Marcelo e o João Manuel. Comemos a valer, brindamos e rezamos, marcando a sobriedade e magnitude do dia onde o Amor talvez mais tenha estado em jogo. Foi muito agradável. Boas conversas, clima tranquilo, até a chuva colaborou.
Depois veio o ponto alto da viagem: visita a Xapuri e ao seringal Cachoeira, mais precisamente à floresta. Na cidade passamos rápido, o tempo para visitar a casa de Chico Mendes, onde tiramos a foto todos juntos (abaixo), e a Fundação que atende pelo mesmo nome, da qual saímos quase todos uniformizados com camisas lembrando o Chico, com saudades dele mesmo sem o ter conhecido...
Rumamos então para a Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira. Um hotel na floresta, ali pertinho dela, de bom gosto e agradável. Não tenho fotos aqui comigo, por isso não as ponho agora, mas vale com certeza conhecer e descansar por lá um pouco. Tem um açude grande com uns decks bons de ficar e fazer um som, como fizemos: Zé Carlos no violão, meu pai na percussão e o mulherio na voz. Nossa, passamos umas horas ali revirando o baú da memória de músicas antigas, cada um revelando seus talentos vocais (mesmo que desafinado...).
No dia seguinte, corremos lá no Nilson Mendes, que gentilmente nos levou para um tour na floresta, um tour de verdade, fora de trilha, andando na mata e conhecendo, guiados por ele, um pouco melhor aquela paisagem que, pra quem não conhece, parece de um verde meio uniforme, mas pra quem conhece é diversificado, descontínuo e cheio de informação. Pegamos MUITA chuva, tivemos mesmo que abreviar o passeio. Para nos proteger, por duas vezes Nilson improvisou um abrigo com palhas de jarina, e ali pudemos passar mais de hora esperando a chuva amainar. Com tudo isso, nos molhamos muito, pisamos em poças, descarregamo-nos ali naquelas matas. À noite, já em casa, todos dormiram como uns anjinhos do Domingo de Páscoa.
Era muita coisa pra ver, saudades para matar - e pouco tempo. Então, elegemos. Os dois primeiros dias foram dedicados a visitar exposições: a do Palácio e da Biblioteca da Floresta. Incluímos uma ida ao Mercado Velho novo, passeio na passarela, ver o rio. Rolou ainda um almoço no Mata Virgem, que serve galinha caipira, coisa que meu pai, tal qual mulher parida, estava desejando! Estava gostoso mesmo. Ficamos também em casa, pois foram dias de MUITA chuva, só vendo... Chuvas amazônicas. Pra quem não conhecia, até isso foi turismo: ver e ouvir a chuva.
Rumamos então para a Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira. Um hotel na floresta, ali pertinho dela, de bom gosto e agradável. Não tenho fotos aqui comigo, por isso não as ponho agora, mas vale com certeza conhecer e descansar por lá um pouco. Tem um açude grande com uns decks bons de ficar e fazer um som, como fizemos: Zé Carlos no violão, meu pai na percussão e o mulherio na voz. Nossa, passamos umas horas ali revirando o baú da memória de músicas antigas, cada um revelando seus talentos vocais (mesmo que desafinado...).
No dia seguinte, corremos lá no Nilson Mendes, que gentilmente nos levou para um tour na floresta, um tour de verdade, fora de trilha, andando na mata e conhecendo, guiados por ele, um pouco melhor aquela paisagem que, pra quem não conhece, parece de um verde meio uniforme, mas pra quem conhece é diversificado, descontínuo e cheio de informação. Pegamos MUITA chuva, tivemos mesmo que abreviar o passeio. Para nos proteger, por duas vezes Nilson improvisou um abrigo com palhas de jarina, e ali pudemos passar mais de hora esperando a chuva amainar. Com tudo isso, nos molhamos muito, pisamos em poças, descarregamo-nos ali naquelas matas. À noite, já em casa, todos dormiram como uns anjinhos do Domingo de Páscoa.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Apaguem as luzes!
Sábado é dia de apagar as luzes. Das 20:30 hs às 21:30 hs a ordem é ficar no escuro. E você não estará sozinho. Se tudo der certo cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo estarão fazendo a mesma coisa que você. Já imaginou: todo mundo experimentando aquela sensação de "apagou a luz"...Trata-se da Hora do Planeta. No escuro, com tudo quieto, o convite é para a reflexão sobre para onde estamos levando a nossa nave, o nosso planeta amado, com tudo o que estamos promovendo nele num insensato clima de fim-de-festa.
Uma hora no escuro, dá pra fazer bastante coisa: dormir, rezar, meditar, cantar, pensar na vida, namorar - mas talvez o melhor mesmo seja mentalizar no nosso planeta azul, sofrido e insistentemente generoso, lindo e judiado, forte e frágil, encantador e assustador. Com tudo, é um bom lugar pra se viver. O convite é para cuidarmos bem de casa, fazer o dever de casa, ou sermos boas/bons donas(os) de casa.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Mais um amigo por perto
Mas quero destacar hoje aqui o João Manuel porque, além dele ter feito aniversário no último dia 17, comemorado com os sushis e sashimis que ele tanto adora, este bravo guerreiro está dando prova de grande versatilidade. Imagine: o João é acriano de nascimento, mas cresceu no Rio, lá fez sua turma, galera, programas e vida social. Boa pinta e simpático, é cheio de amigos, acho que até namorada. Praia, surf, skate. Mas aí os pais resolvem voltar para o Acre. O que resta a uma criança, mesmo que quase adolescente? Vir junto - fazer o que?
Como disseram seus pais: dos três, João é o que está se saindo melhor nesses tempos de aterrisagem, onde tudo ainda está se acomodando e a rotina, aquela senhora tranquilizadora, ainda não se instaurou (pra ser quebrada, é claro). Bem-vindo, João, estou muito feliz com sua chegada e de seus pais - que sejam tempos auspiciosos e gravem em você uma boa memória desta tua terra coberta de florestas.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Almoço em família

Foi realmente, como contou o Jairo Carioca (em postagem do dia 16), um almoço-de-domingo-em-família especial. Tive a honra de receber parte da família chefiada por dona Lurdes Carioca: vieram ela, o filho Jairo e família (sua esposa Geane e a filha Fernanda), Jane (sua única filha) e Zé Carlos, também filho. Veio junto também o João de Deus, amigo da família, um filho agregado. Estão todos aí na foto acima.
A família Carioca é antiga na doutrina e casa fundadas pelo Mestre Raimundo Irineu Serra. Seu chefe chamava-se Júlio Carioca e sua partida para o mundo espiritual deixou saudades. Os Carioca são uma família de artistas da música, que gosta e sabe tocar, cantar e dançar (além de bailar, é claro). Que gosta de celebrar a vida, mesmo nos momentos mais delicados, de doença em família. Na casa de dona Lurdes é comum encontrar o som ligado, às vezes alto mesmo, e volta e meia alguém ensaia uns passos de samba, ou bolero, ou xote...
Recentemente fui recebida nesta família, o que tem me proporcionado momentos de alegria verdadeira. No domingo, quiz retribuir um pouco o carinho e generosidade com que tenho sido acolhida. Propusemos, Zé Carlos e eu, que almoçássemos juntos. Logo todos toparam, embora Julinho (outro filho) e sua família não tenham podido comparecer, assim como Guido e Batista - a família é grande! Cedo chegaram todos, e foram se pondo à vontade na casa - como gosto que os visitantes se ponham. Dona Lurdes escolheu a rede e devorou uma revista sobre o Vale do Juruá; Fernanda correu para a internet e o Orkut, instrumento de comunicação predileto dos adolescentes; Jane, Geane e eu fomos tratar de cuidar do almoço; Jairo descansou, circulou, observou; e Zé Carlos ciceroneou João de Deus e todos os demais.
Finalmente o almoço saiu. Foi quando tiramos a foto. Depois, numa prova de que estávamos todos "em casa", adormecemos numa soneca coletiva, ao fim da qual nos pusemos novamente à mesa para um café com torta de banana.
Hum, teve bom!
domingo, 8 de março de 2009
Língua
Corujas tropicais
Uma curiosidade: em Mangaratiba, na praia, encontrei corujas. Sim, em pleno dia, pousadas em coqueiros, lá estavam elas, várias, nos olhando desconfiadas, como guardiães de cocos. Nunca soube que coruja fosse bicho diurno (e olha que a luz do sol na praia é pra usar óculos escuros - e elas não estavam de óculos!), que gostasse de praia e de coco. Admito, contudo, que sou um ser que pouco sabe sobre corujas além do senso comum. Não sei nem onde fazem os ninhos. Falaram que os mesmos seriam no chão... Será? Nos coqueiros, que eram baixos, não vimos ninhos.
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